EUA, 250 anos: O sonho americano em xequeO passado, o presente e o futuro da maior nação do mundo depois de dois séculos e meio de sua independência. Crédito: EstadãoO aniversário da independência dos Estados Unidos costumava ser um momento de refletir sobre o destino comum dos americanos, acima das disputas políticas e diferenças culturais, que sempre existiram. Mas este 4 de Julho prova que os americanos não são mais capazes de fazer qualquer coisa de alcance nacional acima dessas divisões.As celebrações foram inteiramente truncadas pelo ímpeto do presidente Donald Trump de vinculá-las à sua figura pessoal e pela frustração e resistência dos americanos em face desse propósito. Trump transformou as festividades dos 250 anos dos EUA em uma promoção própria de sua imagem Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP PhotoPUBLICIDADEQuando a organização do Freedom 250 anunciou em maio a primeira leva de nove artistas para a série de shows da Great American State Fair, no National Mall, cinco deles desistiram em menos de 48 horas, e outros cancelaram em seguida. A justificativa: a percepção de que não seria uma celebração do país, mas de Trump.O formato originalmente imaginado — uma série de shows com artistas populares de diferentes estilos — tornou-se inviável. Os organizadores passaram a enfatizar apresentações de artistas que permaneceram, além de bandas militares e participações do próprio Trump. O público encolheu. Os visitantes da Great American State Fair se deparam com áreas cercadas e uma presença ostensiva da Guarda Nacional.Em parte, a preocupação com segurança tem a ver com a desastrosa reforma do Espelho d’Água do Memorial Lincoln. Trump quis fazer obras a toque de caixa, aplicando um revestimento azul que descolou. A água foi tomada por algas. Irritado, ele mandou cercar o lugar e prender pessoas que se aproximavam e, por exemplo, tocavam na água.PublicidadeA Casa Branca foi usada para a realização de um evento do UFC, cujo dirigente, Dana White, é amigo e aliado político de Trump, e costuma participar de seus comícios. Neste sábado, os americanos só podem soltar fogos de artifício a partir das 23h, depois de um pronunciamento do presidente.Veja mais EUA, 250 anos: O sonho americano em xeque250 depois, a ‘nação de imigrantes’ tem mais pessoas indo embora do que chegandoO sonho americano virou um pesadelo? Aumento da desigualdade desilude geração ZTudo isso, num contexto em que a declaração de renda de Trump, que pela lei precisa ser entregue a um órgão de fiscalização do governo, revela receitas de US$ 2,2 milhões no primeiro ano de mandato, dos quais, US$ 1,4 bilhão com criptomoedas, em parte emitidas por ele e sua família, e que foram favorecidas pela desregulamentação promovida por seu governo. Sem falar nas suspeitas de lucros com derivativos de petróleo e outros papéis que flutuaram violentamente em função de suas declarações e ações contraditórias durante o conflito com o Irã.Assim, o 250.º aniversário dos EUA é um marco do momento histórico vivido pelo país e, em grande medida, pelo mundo: o domínio do narcisismo, da corrupção, da mediocridade e da divisão.
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As celebrações dos 250 anos foram inteiramente truncadas pelo ímpeto do presidente Donald Trump de vinculá-las à sua figura pessoal












