Presidente reservou papel de destaque para si durante celebração patriótica neste sábado, incluindo um discurso que vem tratando como 'comício' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa na Dakota do Norte: republicano participa de eventos no calendário de celebrações da independência americana criado pela Freedom 250 — Foto: Andrew Harnik/Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 15:39 Comemoração dos 250 anos dos EUA vira palco para Trump em meio a críticas A celebração dos 250 anos de independência dos EUA, inicialmente planejada como um ato de unidade nacional, tornou-se palco de exaltação a Donald Trump, que centralizou o evento. Sob críticas de partidarismo, a comemoração incluiu discursos e eventos promovidos por um comitê criado por Trump, desviando do plano bipartidário original. A segurança foi reforçada em Washington, após ameaças. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando os EUA começaram a pensar em como seria a comemoração dos 250 anos de independência do país, há uma década, republicanos e democratas concordaram que a celebração deveria evocar um espírito de unidade nacional, em torno dos valores presentes na declaração assinada em 4 de julho de 1776 na Filadélfia. É pouco provável que a mensagem transmitida ao público neste sábado, pelos atos festivos programados para Washington, tenha o tom apartidário como pretendido inicialmente, com o presidente Donald Trump se projetando como uma parte central do evento — o que rendeu acusações de que a data patriótica foi convertida em um culto à personalidade do presidente. A programação oficial da celebração em Washington reserva uma posição de destaque a Trump, que discursou na sexta-feira no Monte Rushmore, sob as imagens esculpidas em pedra de George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt. Hoje, ele fará um discurso no National Mall às 21h (22h em Brasília), ao qual o presidente se referiu em público como seu "mais espetacular comício". A participação do republicano será seguida por uma queima de 850 mil fogos de artifício, prevista para começar não antes das 22h30 (23h30 em Brasília), e com uma duração prevista de 40 minutos — que se bem-sucedida estabelecerá um recorde mundial. O roteiro definido pela organização do evento, liderada pelo comitê Freedom 250 (Liberdade 250, em tradução livre) — organização criada por Trump para cuidar da programação —, não corresponde em princípio com o plano que republicanos e democratas começaram a traçar juntos em 2016, que tinha como uma das premissas descentralizar a celebração da figura do presidente em exercício e priorizar valores democráticos de forma mais abrangente. A mudança de rota foi concebida pelo próprio Trump. Entre 2016 e o começo de 2025, o planejamento das comemorações oficiais ficou nas mãos de um comitê bipartidário criado pelo Congresso dos EUA, o "America250", que tem entre seus presidentes honorários Barack Obama e George W. Bush. A organização passou por quatro administrações, mas atritos no começo do Trump 2 fizeram com que o presidente republicano decidisse criar o novo comitê, por meio de decreto, o que, na prática, provocou uma divisão na organização dos atos com apoio federal. Preparativos para a celebrarão do 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência dos EUA, incluindo o palco de onde o presidente dos EUA, Donald Trump, discursará — Foto: Finn Gomez/Getty Images via AFP América x Liberdade Embora as organizações tenham nomes e identidades visuais similares, a diferença de perfil é visível em eventos promovidos por cada uma. A organização criada por ordem de Trump foi responsável por incluir no calendário oficial da independência a realização do evento de MMA UFC na Casa Branca, no dia do aniversário do presidente, e a ação "Pray for America" ("Orar pelos EUA", em inglês), enquanto o comitê bipartidário incentivou ações de voluntariado, lançou um concurso de redação para estudantes e criou uma cápsula do tempo com contribuições de todos os estados e territórios. As organizações também decidiram manter suas programações independentes, no que se tornou uma disputa por recursos e cobertura midiática — com alguns deles se sobrepondo. O Freedom 250 decidiu substituir um festival cultural que seria organizado pelo Smithsonian no National Mall, conforme um plano inicialmente bolado pelo America250, pela Grande Feira Estadual Americana. O evento iniciado em 25 de junho e que durará 16 dias é descrito pela organização como "uma feira mundial dos tempos modernos". O comitê afirma que todos os estados dos EUA estão representados na atração, mas a participação oficial de entes federativos varia, com parte deles — a maioria, governada por democratas — não aderindo ao evento, alegando restrições orçamentárias ou o caráter partidário das comemorações. Vista aérea do Capitólio dos EUA atrás da roda-gigante 'Freedom 250', no National Mall — Foto: Tierney L. Cross/Getty Images via AFP Em um relatório preliminar produzido por democratas na Subcomissão de Supervisão e Investigações do Comitê de Recursos Naturais da Câmara dos Representantes dos EUA, divulgado na quinta-feira, os adversários do presidente o acusaram de tomar o controle das comemorações para beneficiar aliados políticos, coletar dados de eleitores e promover uma ideologia nacionalista cristã. "Sob o presidente Donald Trump, este aniversário foi sequestrado e deturpado, transformando-se em um foco de corrupção e enriquecimento pessoal", diz uma parte do texto destacada pelo jornal inglês The Guardian. "[A comemoração nacional foi convertida] em um mecanismo para arrecadar e gastar dinheiro em benefício do ego, da ideologia política e dos projetos pessoais do presidente". O America250 também concorre com a agenda oficial. A principal celebração planejada pelo grupo é um grande show batizado de "America's Block Party" ("A Festa de Rua da América", em tradução livre), que será realizada em Los Angeles, simultaneamente ao evento com discurso de Trump na capital dos EUA. O evento terá apresentação de Queen Latifah e atrações musicais como Smashing Pumpkins e Chris Stapleton. Cápsula do tempo America250 (à esquerda) e cúpula de vidro que será colocada sobre ela, serão enterradas na Filadélfia; reabertura deve acontecer em 4 de julho de 2276 — Foto: National Institute of Standards and Technology/AFP Disputa pela História Os dois comitês não são os únicos a organizar eventos em comemoração aos 250 anos da declaração de independência. Em todo o país, nas cidades onde a maioria dos americanos vai celebrar a data, organizadores estaduais apostam em iniciativas próprias. Estão previstos festivais de música, desfiles, rodeios e refeições comunitárias, além de iniciativas que tentam destacar a contribuição de cada um dos territórios para a trajetória nacional — o que, por vezes, também tem sido tema de disputa política. Trump tem frequentemente apelado ao que chama de retorno a uma "história patriótica", criticando as interpretações que põem em xeque o passado escravocrata do país, bem como outras formas de discriminação ligadas a raça e gênero — que o presidente reputa como uma consequência da cultura "woke". Retratos do presidente dos EUA, Donald Trump, e da secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, em estande do Departamento de Agricultura dos EUA na feira em Washington — Foto: Al Drago/Getty Images/AFP À medida que as celebrações da independência avançavam nos estados, organizadores se depararam com particularidades históricas que praticamente inviabilizam a apresentação de uma História restrita às grandes conquistas do país — sobretudo em territórios para além das 13 colônias originais. O museu estadual de história do Colorado — estado que só tem 150 anos — criou uma exposição com 50 momentos decisivos da História americana que enfatiza o debate e a coexistência de múltiplos pontos de vista. Na Costa Oeste, organizadores de Washington e Oregon trabalharam para criar dez painéis dedicados à história regional, incluindo temas difíceis, como as campanhas violentas para expulsar trabalhadores imigrantes chineses no século XIX e o internamento de nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. A recepção nem sempre foi positiva. — Ouvimos algumas pessoas dizerem: 'Não quero celebrar os Estados Unidos. O que este país fez por mim?' — disse Nicholas Vann, diretor-executivo da Sociedade Histórica do Estado de Washington, em entrevista ao New York Times em junho. Preocupação com a segurança No epicentro da comemoração, a tradicional celebração no National Mall será inédita por outra razão além da presença central de Trump e da queima de fogos apoteótica. Pela primeira vez, a área monumental de Washington será considerada como parte de um evento nacional de segurança especial— qualificação que amplia recursos a serem mobilizados pelas forças federais. Guarda Nacional inspeciona exposições na Grande Feira Estadual Americana — Foto: Andrew Leyden/Getty Images via AFP O Serviço Secreto e o FBI anunciaram que diversos órgãos estão disponibilizando técnicos em explosivos, equipes de contra-snipers e médicos para o evento. Pontos de verificação de segurança e bloqueios parciais de vias de acesso estão sendo planejados, enquanto equipes da SWAT e unidades antidrone também reforçarão as medidas.
Independência americana: Celebração oficial de 250 anos dos EUA expõe país dividido e vira exaltação pirotécnica a Trump
Presidente reservou papel de destaque para si durante celebração patriótica neste sábado, incluindo um discurso que vem tratando como 'comício'












