Essa intervenção médica é ilegal no país africano, que sofre pela pressão de grupos conservadores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Quênia enfrenta tabu sobre aborto e expõe milhares de mulheres a riscos — Foto: Freepik / Foto ilustrativa RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 16:53 Dilema do Aborto no Quênia: Proibição, Tabus e Riscos Mortais O Quênia enfrenta um grave dilema com uma das taxas de aborto mais altas do mundo, onde o procedimento é ilegal e envolto em tabus conservadores. Um estudo revelou que, em 2023, foram realizados 793 mil abortos, com 2.600 mortes devido à insegurança do procedimento. O governo, pressionado por influências externas e internas, evita abordar o tema, enquanto organizações como a RHNK tentam oferecer suporte e proteção jurídica em meio a um cenário de clandestinidade e risco. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Quênia registra uma das taxas de aborto mais altas do mundo, mas a pressão dos Estados Unidos e dos grupos religiosos faz com que o governo evite abordar o tema, uma combinação que provoca a morte de milhares de mães todos os anos. O aborto é ilegal no Quênia, embora seja permitido quando "a vida ou a saúde da mãe está em perigo", exceção suficientemente ampla para que centenas de clínicas privadas operem legalmente em todo o país da África Oriental. No entanto, o aborto continua sendo um tema tabu em uma sociedade profundamente conservadora no âmbito religioso, e o governo se nega até mesmo a contabilizar quantos procedimentos são realizados. Por isso, um estudo do Centro Africano de Pesquisa sobre População e Saúde (APHRC), com sede em Nairóbi, causou comoção no ano passado quando estimou, a partir de dados de centros de saúde e entrevistas com médicos e pacientes, que, em 2023, 793 mil abortos foram realizados. A escassez de dados dificulta as comparações, mas esse número colocaria o Quênia entre os países com as taxas de aborto mais elevadas do mundo, aproximadamente o dobro da taxa per capita registrada no Reino Unido ou na França. A combinação de uma elevada demanda de abortos e o persistente estigma tem consequências mortais. Segundo o APHRC, mais de 300 mil quenianas recorrem todos os anos a abortos clandestinos ou remédios perigosos. Em 2023, o centro estimou que 2.600 mulheres morreram em decorrência de abortos inseguros, o equivalente a sete mortes por dia. O doutor Samson Mwita presencia diariamente as graves sequelas em sua clínica em Nairóbi, onde atende entre 60 e 90 casos relacionados a abortos todos os meses. — Recebemos pacientes com ruptura de útero, lacerações cervicais, infecções graves, anemia e até algumas que começam a desenvolver insuficiência renal — explica. Ebola se torna emergência de saúde internacional; Veja fotos 1 de 11 O centro de tratamento de Ebola, em Goma, estava abandonado desde o fim do surto de 2019. Trabalhadores restauram o espaço — Foto: Jospin Mwisha / AFP 2 de 11 Uma funcionária verifica a temperatura de uma antes de permitir seu acesso ao hospital em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 4 de 11 Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola fixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Um soldado no antigo centro de tratamento de Ebola, em Goma, que estava abandonado desde o fim do surto em 2019 — Foto: Jospin Mwisha / AFP 6 de 11 Um agente sanitário higieniza as mãos de um motociclista pela fronteira entre Uganda e a República Democrática do Congo — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: Jospin Mwisha / AFP 8 de 11 Homem se prepara para entrar no Hospital Kyeshero, em um posto de controle para lavagem das mãos e aferição de temperatura para todos os visitantes — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 10 de 11 Um agente de saúde fronteiriço na passagem entre Uganda e a República Democrática do Congo, verifica a temperatura de um viajante — Foto: Badru KATUMBA / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: John WESSELS / AFP Surto da doença na África leva OMS a acionar nível máximo de emergência sanitária internacional Atenção pós-aborto O Ministério de Saúde do Quênia aprovou o estudo do APHRC, embora evite se pronunciar publicamente sobre essa questão. Os responsáveis ignoraram durante semanas os pedidos de comentários da AFP, até que finalmente o diretor-geral do ministério, Patrick Amoth, aceitou falar por menos de cinco minutos. — Estamos elaborando diretrizes para a atenção pós-aborto com o objetivo de capacitar o pessoal da saúde — explicou, acrescentando também que há investimento em programas de planejamento familiar para "reduzir as possibilidades de gestações indesejadas que possam levar a abortos". — O governo não quer fornecer informações de forma transparente. Prefere guardar silêncio, não oferecer estes serviços nos hospitais públicos e permitir que continuem a desinformação, a intimidação e até mesmo assédio contra quem presta assistência médica — denunciou Martin Onyango, advogado da Rede de Saúde Reprodutiva do Quênia (RHNK). Esta organização constitui um apoio fundamental para o setor, pois fornece material médico a zonas remotas e oferece proteção jurídica aos profissionais que praticam abortos. No entanto, a forte dependência do Quênia à ajuda sanitária dos Estados Unidos dificulta qualquer reforma, já que os EUA proíbem o financiamento de entidades que ofereçam serviços de aborto.