Em declaração recente (26/6), o presidente Lula voltou a criticar o processo de privatização: “Quero que apareça um gênio para explicar ao mais humilde dos brasileiros o que o Brasil ganhou com a privatização da BR Distribuidora”. Não é preciso ser gênio para entender que, se houve perda com a privatização da BR Distribuidora, não foi a da capacidade de controle de preços dos combustíveis pelo governo, que se seguiu ao fechamento do Estreito de Ormuz – que era o que, na ocasião, Lula mais lamentava. O governo e os diretores dos Correios argumentam que só a empresa garante serviço de entrega a todos, diferentemente das concorrentes privadas Foto: Alf Ribeiro/Adobe StockPUBLICIDADEO controle de preços dos derivados de petróleo, por subsídios ou por perda de caixa da Petrobras, foi implantado, como pretendeu o governo, sem a necessidade de manipular os preços da Vibra (novo nome da BR) estatal. Não é preciso repisar o argumento de que a privatização reduz a ineficiência da administração pública e acaba com os cabides de emprego. A privatização, no mínimo, libera recursos públicos para atividades essenciais, antes empregados em atividades secundárias – no caso, distribuição de derivados – que qualquer empresa privada pode administrar com melhores resultados. E isso não é pouco.A pergunta que Lula fez ao suposto gênio explicador poderia ser feita para o caso dos Correios que, além de exigir a descarga de bilhões do Tesouro, não passa de operação enxuga gelo, sem nenhuma solução estrutural, o que vai empurrando os Correios para a inexorável insignificância.PublicidadeO governo se apega à suposta necessidade de preservar a necessidade da universalização. Só os Correios, argumentam o governo e os diretores da empresa, garantem serviço de entrega a todos; só os Correios chegam aos mais afastados rincões do País de cujo atendimento as empresas privadas se desinteressam.A atual administração da empresa chegou a reivindicar do governo novos recursos do Tesouro sob a alegação de que a exigência da universalização impõe custos que têm de ser cobertos por recursos públicos.De que serviços de entrega pelos Correios se exige universalização? De entrega de cartas e de telegramas, que ninguém mais escreve? De entrega de textos que podem ser melhor e instantaneamente encaminhados pela internet e pelo WhatsApp, sem necessidade de subvenções públicas?Se for entrega de encomendas ou de documentos, os Correios têm de enfrentar a concorrência de empresas altamente eficientes, como a Amazon, a Mercado Livre, a Uber e as outras. Mais: se for para atuar nesse segmento, os Correios teriam de fazer investimentos de centenas de bilhões de reais em logística, informática e treinamento de pessoal, que o Tesouro decididamente não possui.Presidente Lula, por favor, encontre um gênio para explicar por que a situação dos Correios, que empregam quase 80 mil funcionários, precisa continuar a se deteriorar à irrelevância.Publicidade