Os Correios fecharam 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões! Mais de três vezes o resultado negativo do ano anterior. É um número indecente, mas não surpreendente. Uma coisa que não falha nos governos do PT é o descuido com as estatais. Os Correios são um caso extremo, mas não o único. No conjunto das estatais, o prejuízo foi de R$ 4,16 bilhões apenas no primeiro bimestre de 2026. Até o Banco do Brasil perdeu 20% do seu valor em Bolsa em 12 meses! A desculpa de que são investimentos a maturar não cola mais. O buraco não para de crescer. Para sobreviver, os Correios tomaram um empréstimo de R$12 bilhões, que pode chegar a R$ 20 bilhões neste ano Foto: Hélvio Romero/EstadãoPUBLICIDADEO mais grave é que não há perspectiva de solução para os Correios (nem de reversão de resultado de muitas das estatais). Como previsto, o anunciado plano de reestruturação não fez nem cócegas. Para sobreviver, tomaram um empréstimo de R$12 bilhões, que pode chegar a R$ 20 bilhões neste ano, ao custo de 120% do CDI, com garantia do Tesouro. Como nada de realmente radical está sendo feito que se possa chamar de “reestruturação”, os empréstimos dificilmente serão honrados. Vai cair no nosso colo. Tenho certeza de que há muitas políticas públicas mais relevantes para usar esses recursos do que salvar uma estatal sem futuro. Estão enxugando gelo a um custo altíssimo.Resistem a falar em privatização dos Correios, e de muitas outras, com a desculpa da função social que estatais exercem. É preciso cuidado com esse conceito. Não significa que elas possam fazer qualquer política pública. Não podem, ou não deveriam, investir fora do que defina a lei que as criou e o objeto social da empresa. PublicidadeÉ um expediente muitas vezes usado pelo governo para driblar os limites do Orçamento da União. Também não é função social segurar preços de produtos, como fez Dilma com Petrobras e Eletrobras. Tampouco é licença para não buscar lucro. Muitas das ações de estatais podem ser cumpridas pelo setor privado por meio de delegação. A experiência com eletricidade, telecomunicações e, mais recentemente, do saneamento mostra que a prestação universal é possível via contratos de concessão. O saneamento está avançando até em favelas, coisa nunca tentada pelas estatais estaduais. É uma operação bem mais complexa que a entrega e coleta de cartas. Mais um pouco, nem a privatização será mais viável. A morosidade na “reestruturação” dos Correios é incompatível com a velocidade da mudança tecnológica. Preocupa a indiferença do governo aos resultados ruins de suas empresas. Não há cobrança pela má gestão; ao contrário, a “passada de pano” é a regra. Raramente, vemos uma demissão, como aconteceu com os Correios. Saiu e foi esquecido. A conta quem paga somos nós e futuras gerações.
Opinião | Uma coisa que não falha nos governos do PT é o descuido com as estatais
O prejuízo foi de R$ 4,16 bi apenas no primeiro bimestre — até o Banco do Brasil perdeu 20% do seu valor em Bolsa em 12 meses; a desculpa de que são investimentos a maturar não cola mais














