O enfileiramento de prejuízos dos Correios vem sendo objeto de análises aparentemente contraditórias. Uns pedem a privatização como única saída. Outros entendem que a empresa já vem sendo privatizada aos nacos e, no entanto, continua a caminho da ruína.Para quem entende que a privatização é inevitável, o principal argumento é o de que apenas muito capital conseguiria colocar os Correios nos trilhos. Mas isso implica mudança estratégica, e não apenas corte de custos. E, no entanto, nem o Tesouro dispõe de recursos para recapitalizar os Correios, nem o governo apresenta estratégia para mudança de curso.No primeiro trimestre do ano, os Correios apontaram prejuízo de R$ 3,2 bilhões, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025 Foto: Rmcarvalhobsb/Adobe StockPUBLICIDADEOs que avaliam que os Correios já vêm sendo privatizados, fatia por fatia, apontam como arrebatados pelo setor privado não só certos imóveis colocados em leilão, mas também a entrega de correspondências, seu principal negócio. O WhatsApp e o X (antigo Twitter) são ferramentas eletrônicas que se encarregaram de transmitir mensagens, longas e curtas. Substituem, com vantagens, as cartas e os telegramas. E até mesmo notas fiscais, boletos bancários, contas de luz e de condomínio, extratos de conta corrente e de investimentos, já não chegam pelo correio. São operações que foram largamente assumidas por empresas privadas. Sobra o setor de entrega de encomendas. E, nesse segmento, os Correios deverão voltar a ser beneficiados com o fim da chamada taxação das blusinhas. Mas esse mercado conta hoje com forte concorrência de empresas de enorme envergadura, como Amazon, Mercado Livre, DHL, Shopee e 99. São serviços já atendidos pelo setor privado que opera sofisticados esquemas logísticos.Os Correios apontaram prejuízo de R$ 3,2 bilhões apenas no primeiro trimestre do ano, quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025. O empréstimo de R$ 12 bilhões, concedido à empresa por um pool de bancos no ano passado com aval do Tesouro, ajuda a recompor apenas parcialmente o caixa. Não garante o investimento necessário para enfrentar a enorme transformação estrutural ocorrida nesse mercado.PublicidadeO argumento de que os Correios não podem ser privatizados porque só eles estão comprometidos com a universalização (entrega também nos rincões, aonde o setor privado não chega) não tem sustentação. A internet se encarregou de chegar lá. Os Correios estão fechando mais de mil agências ineficientes, com o que abrem mão da universalização.O governo Lula, paralisado por suas limitações ideológicas, vai assistindo à progressiva deterioração dos Correios, rumo à irrelevância.
Opinião | Governo Lula, paralisado por limitações ideológicas, assiste aos Correios rumarem à irrelevância
O argumento de que a empresa não pode ser privatizada porque só ela garante a universalização não se sustenta com a expansão da internet













