Falar mal da propaganda de bets na CazéTV se tornou uma unanimidade nacional. Não vou, em nome de uma suposta liberdade de expressão comercial, defender o direito dos jovens locutores de convidar telespectadores a fazerem uma fezinha, mas acho importante apontar o dedo para outros atores, mais especificamente para o Congresso Nacional. Desde 2024 está claro que a publicidade das bets se tornou um problema. Desde 1930 sabemos que em 2026 haveria uma Copa do Mundo, evento midiático em que empresas ligadas a futebol, como bets e cervejarias, se esbaldam.
Tramitam no Parlamento vários projetos de lei que limitam um pouco mais seriamente a publicidade de bets, mas eles não foram aprovados a tempo. E não foram porque o Congresso não quis. Suspeito que operem aqui os mesmos interesses que fazem com que a lei brasileira que disciplina a propaganda de bebidas alcoólicas exclua a cerveja, a bebida alcoólica mais consumida no país, do rol de bebidas alcoólicas para fins de publicidade. Essa situação bizarra perdura há 30 anos.
E a propaganda é só um aspecto do desafio maior que é regular a indústria de produtos potencialmente viciantes. O dilema das autoridades aqui é assegurar que cada adulto possa, se quiser, consumir drogas ou fazer apostas recreativamente, mas sem incentivar tais comportamentos. Uma primeira decorrência é que as empresas não podem ser muito eficientes. Devem ser capazes de satisfazer a demanda, mas não queremos que ampliem vendas ou abram novos mercados —o que vai um pouco contra o espírito do capitalismo.











