Chego ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Perto das esteiras de bagagem há telões com propaganda de bets esportivas. Ligo o celular e o streaming da CazéTV parece mais um programa de bets com jogos da Copa no intervalo que o contrário. Vou ao bar pé-sujo ao lado de casa: três banners de bets, funcionários de camiseta de apostas. Abro o jornal no celular e leio sobre El Niño, com o texto interrompido por tigrinho. A onipresença de bets no cotidiano não ocorre à margem da regulação; é fruto justamente da parca regulação.

Essa propaganda está em todas as esferas do cotidiano, fazendo com que as bets sejam normalizadas como um fato da natureza, o que não são. Não se trata de acaso, mas de um modelo de negócio.

Relatório do Itaú Unibanco de 2024 mostrou que o setor de apostas online investe mais em propaganda no Brasil que em outros países, entre R$ 5,8 e R$ 8,8 bilhões, cerca 45% a 75% da receita (no Reino Unido, é de 20%).

A massiva propaganda de bets não visa só vender mais apostas, mas uma ideia: a de sua inevitabilidade na vida do país. Aumenta-se, assim, o custo político de proibi-las, com influenciadores e parlamentares cooptados pelo setor.