'Ou muda ou vaza': Bruno Gonçalves fala sobre líderes jurássicos, geração Z e felicidade corporativaEspecialista em experiência do cliente e do colaborador é um dos destaques do SP Innovation Week e defende que empresas precisam rever cultura organizacional. Crédito: edição: Larissa KinoshitaGerando resumoTodo mundo tem medo de que a IA roube seus empregos. A pergunta mais pertinente é: quais habilidades tornam alguém valioso para contratar em um mercado de trabalho em constante transformação?Já vi isso acontecer antes: categorias inteiras de trabalho surgem e desaparecem sempre que a tecnologia altera a economia e a forma como as empresas operam. Quando a tecnologia reduz o custo de uma atividade, as empresas sempre se esforçam para fazer mais. Mais campanhas. Mais produtos. Mais análises. Mais experimentação. As empresas se adaptam, novas funções emergem e, nesse processo, são criadas categorias de trabalho completamente novas.'A IA eliminará alguns empregos, mas criará uma infinidade de novos' Foto: Rawpixel/Adobe StockQuando as planilhas eletrônicas se tornaram comuns, as empresas não contrataram menos profissionais de finanças. Elas começaram a realizar análises que seriam impossíveis antes. Quando a computação em nuvem tornou o desenvolvimento de software mais barato, as empresas desenvolveram mais software. PublicidadeGERAÇÃO Z E TRABALHO: Como será a CARREIRA dos jovens a longo prazo?De acordo com dados do IBGE, mais de 45 milhões de brasileiros pertencem à geração Z, nascida entre 1995 e 2012. Até 2030, esse grupo deve representar quase 30%. PUBLICIDADEA IA seguirá o mesmo padrão. À medida que o custo de criação, análise e experimentação diminui, as empresas não deixarão de fazer essas coisas. Elas as farão com mais frequência. Portanto, não gaste seu tempo tentando prever quais empregos a IA substituirá. Gaste-o desenvolvendo habilidades que mantenham seu valor independentemente das mudanças no mercado de trabalho.Quando fundei a Cognitiv em 2015, estávamos construindo uma empresa de IA antes que ela se tornasse popular, contratando pessoas para cargos que ainda não existiam de fato. Não havia um organograma padrão nem um manual de contratação, e muitas funções mudavam enquanto as pessoas as exerciam.Olhando para trás, minhas melhores contratações foram aquelas que acreditávamos que se adaptariam facilmente, sem entrar em pânico. Pessoas que aprendiam rápido, se comunicavam com clareza e se mantinham úteis mesmo com as mudanças constantes. Eram pessoas que adoravam aprender e dominavam mais de uma área: engenheiros que faziam mais do que escrever código, estrategistas que entendiam de tecnologia, pessoas que conseguiam conectar ideias entre diferentes disciplinas e trabalhar bem sob pressão.PublicidadeLeia tambémO maior erro antes de pedir demissãoTente ficar vivo para não perder o que a IA ainda vai fazerA IA eliminará alguns empregos, mas criará uma infinidade de novos. E se você quer ser contratado na era da IA, a resposta provavelmente não é se especializar ainda mais. Quem sabe quando essa especialização desaparecerá? Um jovem que eu orientei acabou de se formar na graduação com dupla graduação em arte e ciência da computação. Ele foi contratado imediatamente pela Tencent para trabalhar no League of Legends porque era capaz de projetar e criar o próprio jogo – a combinação de tecnologia e criatividade foi inestimável e uma vantagem contra as mudanças que a IA está por vir. Seus colegas formados apenas em ciência da computação estão tendo muito mais dificuldade para encontrar emprego. É preciso evoluir junto com a tecnologia, em vez de competir diretamente contra ela.Existem categorias inteiras de trabalho que não vejo desaparecendo tão cedo, especialmente aquelas em que a confiança é o produto. Vendas corporativas e B2B são um bom exemplo. Esses relacionamentos são construídos lentamente ao longo do tempo. O trabalho não se resume a conhecer o produto ou ter a resposta certa, mas sim a ser a pessoa a quem se recorre quando algo dá errado ou um prazo é perdido. Não vamos entregar esse tipo de confiança à IA tão cedo.PublicidadeAs empresas continuarão contratando pessoas capazes de transitar entre diferentes áreas, resolver problemas em situações de incerteza e se comunicar com clareza, mesmo em cenários de mudança. Essas não são habilidades interpessoais. São habilidades que se acumulam ao longo do tempo de maneiras que a IA ainda não consegue replicar. Se essa janela de oportunidade permanecerá aberta é uma incógnita. O que você fará com ela, sim./Fortune