Pesquisa mostra aumento no uso da tecnologia no trabalho e redução da preocupação com substituição por inteligência artificial em relação ao ano passado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Datafolha: medo de perder o emprego para IA cai, mas ainda atinge 48% dos brasileiros, mostra pesquisa — Foto: Luke MacGregor/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 07:16 Medo de IA no trabalho cai, mas 79% rejeitam decisões automáticas Pesquisa Datafolha revela que o medo dos brasileiros de perderem seus empregos para a inteligência artificial (IA) caiu de 56% para 48% em um ano. O uso de IA no trabalho aumentou de 17% para 24%. Apesar disso, 79% rejeitam decisões automatizadas para contratações e demissões. Estudo aponta que quase 30 milhões de trabalhadores estão expostos à IA, especialmente em setores como informação e finanças. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O receio dos brasileiros de terem suas profissões substituídas pela inteligência artificial (IA) diminuiu no último ano, segundo pesquisa Datafolha realizada em junho. Entre as pessoas que afirmam conhecer a tecnologia, 48% dizem ter muito ou um pouco de medo de serem substituídas pela IA, contra 56% registrados há um ano. No mesmo período, a parcela dos que afirmam não ter nenhum medo passou de 41% para 49%. O levantamento também mostra que o uso da inteligência artificial no ambiente profissional aumentou. Entre os entrevistados que conhecem a tecnologia, o percentual dos que utilizam IA no trabalho subiu de 17% para 24% em um ano. Outros usos citados foram pesquisas na internet (25%), estudos (17%) e criação de imagens e vídeos (4%). A pesquisa foi realizada pelo Datafolha nos dias 17 e 18 de junho de 2026. Foram entrevistadas presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas por 139 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Segundo a pesquisa, a percepção dos brasileiros contrasta com a avaliação de parte dos empresários do setor de tecnologia. Um dos exemplos citados é o CEO da Anthropic, Dario Amodei, que defende políticas para estimular contratações diante do risco de desemprego provocado pela inteligência artificial. Amodei é conhecido no Vale do Silício por adotar uma visão considerada alarmista sobre os impactos do avanço tecnológico. O cenário também se aproxima da análise do economista Daron Acemoglu, vencedor do Prêmio Nobel de Economia. Segundo essa avaliação, a inteligência artificial pode substituir trabalhadores em determinadas tarefas, mas também aumentar a produtividade e reduzir custos. Esse ganho de eficiência pode estimular o consumo de outros bens e serviços, criando novas atividades e empregos, embora ainda não esteja claro em que medida esses efeitos irão se equilibrar. Quase 30 milhões de trabalhadores estão expostos à IA Um estudo do FGV Ibre, baseado na metodologia da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima que quase 30 milhões de trabalhadores brasileiros exerciam ocupações com algum grau de exposição à inteligência artificial generativa no terceiro trimestre do ano anterior. O grupo representa 29,6% da população ocupada. Entre eles, cerca de 5,2 milhões estavam nas ocupações com maior nível de exposição, concentradas principalmente entre trabalhadores mais jovens, pessoas com maior escolaridade, profissionais do Sudeste e empregados do setor de serviços, especialmente nas áreas de informação, comunicação e serviços financeiros. Segundo o levantamento, muitas das profissões mais expostas à inteligência artificial também apresentam maior capacidade de adaptação, por reunirem profissionais mais especializados, mais jovens e com melhores condições financeiras para enfrentar períodos de transição. A pesquisa diferencia ainda dois efeitos da tecnologia: a substituição de trabalhadores e a complementaridade entre a IA e o trabalho humano. Maioria rejeita decisões tomadas por IA O Datafolha também mediu a opinião dos brasileiros sobre o uso da inteligência artificial em decisões automatizadas. A maioria dos entrevistados rejeita a utilização da tecnologia para contratar ou demitir trabalhadores: 79% consideram esse uso inadequado. Outros 68% desaprovam o emprego da IA para decidir tratamentos médicos, enquanto 67% são contrários à utilização da tecnologia em decisões sobre concessão de crédito, prática já adotada em parte do sistema financeiro.