Acordo apoiado pelos EUA prevê que Israel entregue duas áreas ao Exército libanês, mas Tel Aviv afirma que o Hezbollah ainda tem seu arsenal Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, em Jerusalém no dia 21 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Ronen Zvulun O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou nesta terça-feira o território libanês ocupado pelas forças militares israelenses, dizendo aos soldados que Israel não se retirará do sul do país enquanto o Hezbollah, apoiado pelo Irã, continuar representando uma ameaça. Foi a primeira visita de Netanyahu a território libanês ocupado desde que os governos de Israel e do Líbano chegaram a um acordo de segurança na última sexta-feira, mediado pelos Estados Unidos, segundo o qual Israel entregará duas áreas ao Exército libanês. “Nossa posição firme é que não deixaremos o sul do Líbano até que a ameaça seja removida”, disse Netanyahu às tropas, de acordo com um comunicado divulgado por seu gabinete, referindo-se ao Hezbollah. “Enquanto o Hezbollah permanecer aqui, armado e nos ameaçando, nós também permaneceremos aqui”, afirmou. Netanyahu, que havia visitado publicamente pela última vez território libanês ocupado em abril, estava acompanhado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, e por militares de alta patente. De acordo com o acordo de segurança apoiado pelos Estados Unidos, as forças israelenses deverão se retirar de duas “zonas-piloto” e permitir que as forças armadas libanesas assumam o controle dessas áreas. Poucos detalhes foram divulgados sobre como o projeto funcionará na prática. Israel invadiu o Líbano após ser alvo de disparos do Hezbollah em 2 de março, em resposta aos ataques dos EUA contra o Irã em 28 de fevereiro, desencadeando uma guerra regional que matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, mas também no Golfo e em Israel. ‘Zona de segurança’ As forças armadas israelenses criaram uma “zona de segurança” de cerca de 10 km ao longo de toda a fronteira israelense dentro do território libanês. Autoridades israelenses afirmam que essa zona é necessária para proteger as comunidades do norte de Israel contra ataques lançados pelo Hezbollah. Os militares expulsaram a população libanesa local de suas casas e realizaram incursões em vilarejos, destruindo edifícios. Os militares afirmam estar destruindo infraestrutura utilizada pelo Hezbollah, incluindo túneis subterrâneos. Mais de 4 mil libaneses foram mortos e mais de um milhão foram deslocados pela campanha militar israelense no Líbano desde março. Pelo menos 32 soldados israelenses e quatro civis israelenses foram mortos pelo Hezbollah, a maioria deles no sul do Líbano. Netanyahu disse às tropas israelenses nesta terça-feira que o Hezbollah ainda possuía cerca de 12 mil foguetes e mísseis em seu arsenal e que as forças israelenses haviam matado 9 mil combatentes no Líbano. Ele não especificou o período ao qual esse número se refere, mas aparentemente estava falando do total de mortos desde 2 de março. O Hezbollah não divulga números sobre seus combatentes mortos. A Reuters informou em 4 de maio que vários milhares de combatentes do Hezbollah haviam sido mortos na guerra. O Irã tem exigido repetidamente um cessar-fogo no Líbano como parte de suas negociações com os Estados Unidos para encerrar a guerra iniciada em fevereiro. Israel, que não participa diretamente dessas negociações, se opõe a vincular a guerra no Líbano ao conflito com o Irã. Sob pressão dos EUA, Israel concordou com um cessar-fogo com o Hezbollah em 19 de junho, embora a violência tenha persistido. O Hezbollah tem se oposto repetidamente às negociações entre Israel e Líbano e não faz parte das tratativas.