Bem recebida na cidade fronteiriça mexicana, seleção iraniana enfrentou diversas restrições de circulação nos EUA Fã do time iraniano em Tijuana após o país após ser eliminado na Copa: 'Irã, irmão, você já é mexicano', se lê no boné — Foto: REUTERS/Victor Medina A seleção iraniana de futebol agradeceu, nesta terça-feira (30), ao povo de Tijuana pela hospitalidade demonstrada durante a Copa do Mundo, após a eliminação da equipe na fase de grupos, afirmando que o México havia se tornado “nosso segundo lar e nosso segundo time”. As tensões políticas entre o Irã e os Estados Unidos forçaram a seleção iraniana a abandonar os planos de estabelecer sua base para a Copa do Mundo em Tucson, no Arizona, e se mudar para Tijuana pouco antes do torneio. A seleção iraniana também só foi autorizada a entrar nos EUA um dia antes de suas partidas. Posteriormente, as autoridades americanas flexibilizaram algumas restrições, permitindo que o Irã viajasse dois dias antes de sua última partida da fase de grupos em Seattle, embora a equipe ainda fosse obrigada a retornar à sua base mexicana após o jogo. “Ser um verdadeiro anfitrião tem a ver com respeito, humanidade e dignidade. Nunca esqueceremos a gentileza do povo de Tijuana”, afirmou a seleção em uma mensagem publicada no canal do WhatsApp da equipe. “A partir de hoje, o México será sempre mais do que um país anfitrião para nós, será nosso segundo lar e nosso segundo time.” Críticas públicas No início do torneio, o Irã deixou uma mensagem no vestiário do SoFi Stadium também agradecendo a Los Angeles pela hospitalidade após sediar duas partidas do Irã no Grupo G. No entanto, o técnico Amir Ghalenoei e o capitão Mehdi Taremi criticaram publicamente as condições oferecidas durante o torneio, afirmando que a seleção iraniana não havia sido tratada da mesma forma que os demais participantes. A declaração também levantou preocupações sobre o que o Irã descreveu como falta de equidade competitiva. “Deixamos esta Copa do Mundo com orgulho, mas também com uma questão fundamental: será que todas as seleções realmente competiram em condições iguais e sob os mesmos padrões profissionais?”, afirmou a equipe. O Irã não citou diretamente a Fifa, os organizadores do torneio ou as autoridades americanas, mas se referiu a “uma série de decisões, arranjos logísticos e circunstâncias que minaram o senso de justiça”. O Irã teve um gol anulado nos acréscimos do segundo tempo por um impedimento limítrofe em sua última partida da fase de grupos contra o Egito, que daria a vitória e a classificação ao time para o mata-mata. “Para nós, o fair play não é um slogan impresso em painéis publicitários, é a própria identidade do futebol. No entanto, este torneio nos lembrou que ainda há uma distância significativa entre palavras inspiradoras e ações significativas”, afirmou o time no comunicado. No entanto, o Egito também recebeu elogios. “As Copas do Mundo chegam ao fim. Os dirigentes mudam. Mas civilizações como a do Irã, do Egito e do México – construídas sobre a verdade, o respeito e a dignidade humana – perduram ao longo da história”, acrescentou.