Todo mundo pensa no bairro da Liberdade, em São Paulo, como um espaço da colônia japonesa. Nos últimos anos também cresceu a percepção de que se trata de uma região de forte tradição negra. Mas além dessas etnias, o lugar está carregado de influências de muitos outros povos. Indígenas, portugueses, italianos, chineses, taiwaneses, russos, norte-americanos e libaneses também fizeram história por ali.

É isso que a exposição "Liberdade: Bairro Plural" vai mostrar a partir do dia 7 de julho no Museu do Ipiranga. Longe dos clichês, será proposto um novo olhar sobre a região, que tem uma trajetória longa, de mais de dois séculos, e complexa, ligada à formação da cidade e aos ciclos migratórios. Seu ambiente é de trocas culturais, encontros, deslocamentos, permanências e disputas de memórias. Suas ruas seguem o traçado de antigos caminhos indígenas.

"A Liberdade, como poucos bairros, talvez só o Bom Retiro, concentra a pluralidade dos agentes formadores da cidade", diz Paulo Garcez, diretor do Museu do Ipiranga e um dos curadores da exposição. "Até hoje imigrantes estão chegando, como os andinos, caribenhos e africanos, porque a região fica próxima do Centro e tem um custo de moradia mais baixo do que a média. Ainda há habitações baratas."