Diante da atitude que normalmente se tem com os desamparados em geral, o esforço de expulsão das casas de repouso, chamadas tecnicamente de ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos), no bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, não surpreende. Ele é um forte indicador de uma sociedade doente que perdeu a capacidade de se solidarizar com os mais frágeis em nome de questões mercantis como a desvalorização imobiliária ou da perturbação estética.

O que define esse jogo cruel é o dinheiro e o etarismo. Os argumentos para excluir os mais velhos do bairro, onde se concentram residências de alto padrão, são mesquinhos. É o mesmo que acontece com os albergues de moradores de rua de lugares como Cambuci ou Pinheiros, rejeitados pela vizinhança local por revelarem uma realidade que ninguém quer ver.

Os idosos não fazem barulho, embora alguns vizinhos próximos reclamem de gritos eventuais, são praticamente invisíveis e nem saem às ruas. Estão apenas vivendo seus últimos anos de vida reclusos, silenciosos e, em geral, tristes. Estão à espera da morte, e alguns moradores se incomodam com os carros funerários que vêm buscá-los na chegada desse dia.

Uma minoria ruidosa se manifestou abertamente reclamando desses carros que frequentam a região, conhecida como City Lapa, e dizendo que os idosos podem perfeitamente procurar outro lugar para viver. Há, porém, uma maioria silenciosa que ocupa a vizinhança e se divide diante da situação. É preciso dizer que nem todo mundo despreza os mais velhos.