Cenário de filmes consagrados do cineasta Kleber Mendonça Filho, como O Agente Secreto e Retratos Fantasmas, uma das áreas históricas mais emblemáticas do centro do Recife será entregue à iniciativa privada. Trata-se do projeto Distrito Guararapes, parceria público-privada que prevê a concessão, por 30 anos, de mais de 14 hectares que abrangem avenidas, ruas e praças, incluindo prédios centenários e uma área significativa do Rio Capibaribe, principal cartão-postal da capital pernambucana.
A promessa é revitalizar a Avenida Guararapes e seu entorno, no bairro de Santo Antônio, região que enfrenta um processo de degradação e esvaziamento desde o início dos anos 2000. Com investimento de 300 milhões de reais do BNDES, o projeto é tratado com entusiasmo pela prefeitura do Recife, que aposta na reocupação do centro. A iniciativa tem sido, contudo, alvo de duras críticas de pesquisadores, urbanistas e movimentos sociais, a temer que a intervenção comprometa a identidade arquitetônica e o patrimônio histórico da região, além de aprofundar o processo de gentrificação.
Serão “requalificadas” mais de 35 quadras do bairro, com a recuperação de edifícios e vias públicas, instalação de novos quiosques para o comércio de rua, além da adaptação de imóveis para uso residencial. Um dos principais pontos de contestação é o fato de que, dos 14 edifícios que passarão por reformas, 12 serão destinados à moradia, mas sem contemplar habitação voltada à população de baixa renda. Serão ofertadas 873 quitinetes de 35 metros quadrados, com valor estimado em 310 mil reais cada uma, destinados às faixas 3 e 4 do programa Minha Casa, Minha Vida, voltadas a famílias com renda mensal entre 5 mil e 13 mil reais. Exclui justamente a população de menor renda, que hoje vive ou trabalha no centro da cidade.











