O El Niño chega assustando os brasileiros. A imprudência das lideranças mundiais e do lobby dos combustíveis fósseis nos colocou numa trajetória de aumento médio da temperatura do ar de 2,8 °C em relação aos níveis da era pré-industrial de 1850 –muito além do limite de 1,5 °C estabelecido no Acordo de Paris em 2015. A temperatura dos oceanos sobe também, intensificando os impactos e a possibilidade de um super El Niño com 2°C ou mais acima da média no Pacífico gerando eventos extremos de secas no Norte e Nordeste, ondas de calor no Sudeste e Centro-Oeste e chuvas no Sul.

Este aquecimento causa extrema volatilidade hidroclimática aumentando a intensidade e frequência de eventos climáticos extremos. De 1970 a 1980, anualmente, ocorreram em torno de cem por todo o mundo; de 2020 a 2025, cerca de 400. No Brasil, entre 2020-23 tivemos um aumento de 223% comparado à toda década de 1990.

Para proteger nossa população, ecossistemas e economia e alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, não podemos mais realizar apenas a recuperação ambiental e a transição energética. É preciso acabar com o desmatamento e a exploração e o uso do petróleo, que além de ferver o planeta é mais caro do que as energias renováveis, e, ao mesmo tempo, trabalhar intensamente a nossa adaptação e resiliência ao novo clima como única direção possível.