O verão recente no Hemisfério Norte voltou a impor números dramáticos à contabilidade humana e econômica do clima. A sucessão de ondas de calor extremo na Europa, acompanhada por milhares de mortes adicionais, incêndios florestais devastadores e seca inédita em bacias hidrográficas, reforça a percepção de que a crise climática deixou de ser uma projeção abstrata para se tornar risco sistêmico.
A explicação científica dominante aponta, com razão, para a concentração acelerada de gases de efeito estufa decorrente da queima de combustíveis fósseis, desde a Revolução Industrial.
Mas restringir a equação climática à dinâmica industrial oculta a complexidade de fenômenos estruturais e históricos longevos. Estudos sobre a história ambiental europeia – a exemplo dos grandes incêndios e variações térmicas na região de Bordeaux e na Aquitânia ao longo dos últimos séculos – demonstram que as causas da vulnerabilidade climática atual possuem raízes remotas e multifatoriais.
Bombeiros enfrentam incêndio florestal na região de Mégara, na Grécia, na segunda-feira, 3 Foto: Aris Oikonomou/AFP
A mudança climática interage com padrões de uso da terra, desmatamentos ocorridos ainda na Idade Média, alterações no manejo florestal e ciclos naturais de variação solar e atividade vulcânica.










