Ondas de calor em toda a Europa e no sul da Ásia têm dominado as notícias recentemente. Mas esses eventos são, na verdade, uma manifestação superficial de mudanças mais profundas que estão afetando nosso planeta: a própria Terra está acumulando calor mais rápido do que nunca.
Lideramos uma grande equipe internacional de cientistas que se reúne todos os anos para apresentar uma atualização sobre o estado do sistema climático terrestre. Neste ano, constatamos que o desequilíbrio energético da Terra –a diferença entre a quantidade de energia que entra e sai do planeta– dobrou nas últimas décadas e está agora em níveis recordes.
Esse calor extra é um indicador-chave do ritmo e da escala das mudanças climáticas causadas pela humanidade. Em um clima não afetado pelas emissões de gases de efeito estufa produzidas pela atividade humana, o balanço energético da Terra seria igual a zero. Mas, desde a década de 1970, a Terra tem ficado cada vez mais desequilibrada. Essa taxa de aumento é mais rápida do que a esperada, e trabalhos estão em curso para entender exatamente por que isso está acontecendo.
A maior parte desse excesso de calor não permanece na atmosfera. Cerca de 90% dele está sendo absorvido pelos oceanos, que atuam como um vasto dissipador de calor. Mas as consequências se manifestam em todo o sistema terrestre. Os oceanos estão aquecendo, as camadas de gelo dos polos e as geleiras estão derretendo, e o permafrost está descongelando.







