De acordo com o consórcio internacional World Weather Attribution, os efeitos não seriam tão graves sem ação humana e o El Niño vai piorar a situação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas caminham na rua em Guidford, no Reino Unido, onde as temperaturas bateram os 36ºC em meio a onda de calor — Foto: JUSTIN TALLIS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 21:42 Onda de Calor na Europa Atinge Recordes e Expõe Ação Humana Um estudo do consórcio World Weather Attribution revela que a onda de calor atual na Europa seria impossível sem as mudanças climáticas causadas pela ação humana. O fenômeno, o mais severo já registrado na região, elevou temperaturas noturnas a níveis extremos, com registros acima de 30ºC na França e Itália. A situação, agravada pela falta de alívio, afetou 380 milhões de pessoas. O El Niño não contribuiu para o calor atual, mas pode intensificar as temperaturas nos próximos meses. Especialistas ressaltam a necessidade de investimentos em infraestrutura para mitigar os efeitos do calor extremo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A onda de calor que assola a Europa em junho seria impossível sem as mudanças climáticas, afirma um estudo apresentado hoje pelo World Weather Attribution (WWA, na sigla em inglês). Essa é a primeira vez que se considera que uma onda de calor não teria acontecido com tal potência em determinados local e época do ano, caso a atmosfera já não estivesse tão quente e anômala em decorrência das alterações no clima associadas à ação humana. Segundo o WWA, essa é a onda de calor mais severa já registrada na Europa. Mas esse dado precisa ainda ser confirmado pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Ainda de acordo com o WWA, as escorchantes temperaturas noturnas, acima de 30ºC, como as registradas em França e Itália, por exemplo, são 100 vezes mais prováveis hoje do que há apenas 23 anos, durante a histórica onda de calor europeia de 2003, quando mais de 60 mil pessoas morreram em função do calor. Em 1976, quando foram estabelecidos alguns dos recordes europeus anteriores, as temperaturas de 2026 teriam sido virtualmente impossíveis de ocorrer em junho, além de altamente improváveis em qualquer época do ano. “Em 2003, a primeira grande onda de calor deste século, um calor diurno como o de agora teria sido muito raro, cerca de 10 vezes menos provável do que hoje”, acrescentou o WWA em relatório. Para quantificar o efeito do aquecimento causado pelas atividades humanas, os cientistas analisaram e compararam as temperaturas registradas agora, as médias do clima atual (com aproximadamente 1,4ºC de aquecimento global), o clima 0,6ºC mais frio de 2003 e 1,1ºC mais frio de 1976. Segundo o estudo, a mudança do clima associada às emissões humanas de gases-estuda tornou possível o impossível. Tanto as máximas diurnas quanto as temperaturas noturnas não ocorreriam nesta época do ano há apenas 50 anos. No clima histórico, segundo o WWA, a temperatura seria cerca de 3,5ºC menor. Além disso, o tão temido El Niño deste ano nada tem a ver com o calor extremo na Europa. A análise do WWA descartou a variabilidade natural do clima. E mostrou que o El Niño não teve influência no calor europeu de junho. E isso não é uma boa notícia. Significa que, nos próximos meses, sob a influência do El Niño, o calor poderá se intensificar. Crianças jogam futebol enquanto se refrescam em uma fonte durante uma onda de calor na Espanha, em Madri, em 23 de junho de 2026 — Foto: Oscar Del Pozo / AFP A onda tem seu epicentro na França, mas se alastrou por oeste, sul e norte europeus. Se estima que 380 milhões de pessoas foram afetadas. A França teve seu dia mais quente desde o início dos registros meteorológicos. A máxima chegou a 44,3°C, em Pissos. Em Paris, a temperatura superou a marca de 40°C e o país enfrentou as noites mais quentes já documentadas, sem alívio para a recuperação do corpo. O calor deformou trilhos de trem e uma usina nuclear em Toulouse reduziu a geração de energia após os rios, que normalmente resfriam os reatores, esquentarem demais para garantir uma operação segura. O Museu do Louvre e a Torre Eiffel tiveram que suspender atividades por falta de adaptação térmica. O WWA é um consórcio internacional de cientistas que emprega análises numéricas para estimar o impacto das mudanças climáticas na ocorrência de extremos. Os pesquisadores do WWA, de instituições de Reino Unido, Holanda, Irlanda, Suécia, Dinamarca e Hungria, investigam a chamada “impressão digital” das mudanças climáticas, as chances de um evento ocorrer com ou sem as emissões associadas à ação humana. — A velocidade das mudanças é assustadora. A cada poucos anos, vemos recordes de calor serem quebrados na Europa. Este ano, isso tem acontecido em meses consecutivos — salientou um dos autores do estudo, Theodore Keeping, pesquisador de clima extremo do Imperial College London. A umidade elevada (acima de 70%) também foi destacada pelo WWA. Nada menos que 45% das 854 cidades analisadas em 30 países europeus já quebraram, ou devem quebrar, seus recordes históricos de níveis de estresse térmico, medido pela associação de temperatura e umidade. Quanto mais elevada a umidade, maiores são o desconforto e o risco para a saúde causados pelo calor. A umidade impede que o suor evapore e retém o calor sobre a pele. Suar é o principal mecanismo de resfriamento do corpo humano. — As pessoas estão mais conscientes sobre os riscos do calor. Mas conscientização não é suficiente. Apesar dos sistemas de alerta e dos planos de ação, o calor continua a afetar a saúde, o transporte, os sistemas de energia e a vida cotidiana. Precisamos de maior investimento em casas, cidades e infraestrutura para manter as pessoas seguras — enfatizou Carolina Pereira Marghidan, do Centro de Clima da Cruz e do Crescente Vermelhos. — Cientistas como eu repetem a mesma coisa ano após ano. É a mudança climática. A culpa é humana. Não é o El Niño. Temos soluções. Mas é realmente uma questão de que tipo de futuro queremos e se estamos dispostos a fazer o que for necessário para garanti-lo — declarou Friederike Otto, uma das fundadoras do WWA e professora de Ciência do Clima do Imperial College London.
Sem mudança climática, não haveria onda de calor atual na Europa, indica levantamento
De acordo com o consórcio internacional World Weather Attribution, os efeitos não seriam tão graves sem ação humana e o El Niño vai piorar a situação













