Com um El Niño de grande intensidade em formação sobre um planeta já superaquecido, a agenda de cidades resilientes deixou de ser pauta ambiental periférica para se tornar questão central para a economia e a sobrevivência urbana.

Há semanas o hemisfério Norte vive um ensaio geral do futuro. A Europa atravessa uma onda de calor sem precedentes, classificada como extraordinária pela OMM (Organização Meteorológica Mundial). Alemanha, França e Reino Unido bateram recordes históricos de aumento da temperatura.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) contabilizou mais de 1.300 mortes em uma semana relacionadas à mudança do clima. Nos EUA, um domo de calor colocou 160 milhões de pessoas sob alerta. Não são episódios isolados: são o retrato de um sistema climático que acumulou energia por décadas e agora a devolve em forma de extremos.

Sobre esse cenário, forma-se um catalisador. A agência climática dos EUA confirmou um novo El Niño no Pacífico, com probabilidade superior a 60% de atingir a categoria "muito forte" neste semestre.

O fenômeno é natural, o que não é natural é a realidade sobre a qual ele atua, uma atmosfera mais quente, cidades mais impermeabilizadas e territórios mais vulneráveis. Apenas três El Niños atingiram a categoria máxima desde 1980, deixando cicatrizes econômicas e perda de vidas.