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A possibilidade de um novo Super El Niño no segundo semestre de 2026 coloca mais uma vez o país em alerta. Há risco de secas severas no Norte e Nordeste e de chuvas excessivas e inundações no Sul. Esses eventos extremos vão encontrar centros urbanos pouco preparados e vão os levar a discutir as importantes lacunas na adaptação e na gestão de riscos e desastres nos municípios brasileiros. Mas será que a questão da moradia vai fazer parte da discussão?

Os impactos das mudanças climáticas recaem de forma desproporcional sobre quem já enfrenta insegurança habitacional, especialmente em assentamentos informais e áreas urbanas mais vulneráveis —e o Brasil ilustra bem esse quadro. Mais de 16 milhões de pessoas vivem em favelas e comunidades no país, muitas vezes em áreas de alta exposição a riscos climáticos. As populações mais afetadas pelos impactos climáticos são também aquelas que, a cada nova ocorrência, ficam ainda mais expostas, reforçando um ciclo de vulnerabilização que tem origem na falta de acesso a direitos básicos.

Para a iniciativa Re.Habita, grupo que reúne WRI Brasil, ONU-Habitat Brasil, TETO Brasil, Habitat para a Humanidade Brasil e Fundação Tide Setubal, o acesso à moradia digna como direito humano é um pressuposto para a resiliência e a justiça climática.