Esqueça por alguns minutos as oitavas de final e o iate de R$ 120 milhões do Neymar. Mesmo que o coração não aperte com milhares de mortes por calor na Europa, o lobo frontal do cérebro implora que se preste atenção no clima, porque El Niño chegou com a força de um trombadinha.
Fique alerta para a alta provável nos preços dos alimentos e da energia. No curto prazo, porque o menino (não o Ney) vai surrupiar colheitas e reservatórios de hidrelétricas. No médio e longo prazo, porque está em curso um arrastão vicioso entre mudança do clima e aumento do custo de vida.
El Niño costuma trazer secas pronunciadas na região Norte do Brasil e chuvas torrenciais no Sul. Além do risco de gaúchos verem se repetir as enchentes trágicas de dois anos atrás, pode sair prejudicada a safra de arroz no Rio Grande do Sul, que concentra 70% da produção brasileira, segundo o ClimaInfo.
Em mesa redonda no Instituto Clima e Sociedade, Eduardo Assad e Guilherme Bastos, professores da FGV, soaram o alarme sobre colheitas de soja, milho, café e laranja: a quebra nessas culturas pode ficar entre 7% e 10% se confirmado um El Niño muito forte.
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