O El Niño está chegando e assustando os brasileiros. Sob o peso do lobby dos combustíveis fósseis, a humanidade ruma a um aumento de 2,8 graus Celsius na temperatura média global, quase o dobro do limite de 1,5 ºC do Acordo de Paris. No Brasil, devido à nossa posição tropical e às dimensões continentais, esse aumento pode atingir entre 3,5 e 4 ºC. O reflexo está no aquecimento sem precedentes dos oceanos, que pode tornar o El Niño de 2026 um dos mais severos da história. Os sintomas são conhecidos: seca no Norte e Nordeste, tempestades no Sul e calor extremo no Sudeste e no Pantanal. O aumento das queimadas e o calor excessivo impactam a saúde dos brasileiros, com a população mais vulnerável sempre mais afetada.

Nas últimas quatro décadas, os eventos extremos aumentaram em 400% no mundo. No Brasil, a conta é mais alta. Nossa posição tropical nos torna mais vulneráveis. A escassez de água afeta a população urbana, as indústrias, a geração hidrelétrica e a produção agropecuária. Nos centros urbanos, onde vivem 87% dos brasileiros, a crise climática é uma questão de saúde pública. As ondas de calor já ceifaram mais de 60 mil vidas de brasileiros nas últimas quatro décadas, segundo um relatório recente da Fiocruz.