Segundo boletim mensal do Painel El Niño projeta 100% de chance de o fenômeno permanecer até o início de 2027 e aponta possibilidade de um episódio muito forte, com impactos distintos entre as regiões do país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Projeção climática do Painel El Niño indica chuvas abaixo da média em grande parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (à esquerda) e temperaturas acima do normal em praticamente todo o Brasil entre agosto e outubro (à direita) — Foto: CPTEC/INPE, Inmet e Funceme O segundo boletim mensal do Painel El Niño 2026-2027, divulgado por um grupo de órgãos federais coordenado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), reforçou o alerta para um segundo semestre marcado por extremos climáticos no Brasil. O documento aponta 100% de probabilidade de o El Niño permanecer até, pelo menos, o início de 2027, além de alta chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão, aumentando os riscos de enchentes no Sul, secas prolongadas no centro-norte e ondas de calor em praticamente todo o país. Produzido em conjunto por Inmet, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Censipam, o boletim afirma que o El Niño foi oficialmente configurado em junho e que as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial podem superar 2°C, patamar compatível com eventos muito fortes. As projeções internacionais reforçam esse cenário. Segundo o documento, o APEC Climate Center (APCC) estima 100% de probabilidade de manutenção de um El Niño forte até o fim de 2026, enquanto a agência americana NOAA calcula 81% de chance de o fenômeno atingir a categoria de muito forte no trimestre entre outubro e dezembro. Para o trimestre de agosto, setembro e outubro, a previsão climática indica chuvas abaixo da média em grande parte das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em contrapartida, a Região Sul deverá registrar precipitações acima da média, condição que pode avançar até o sul de São Paulo e de Mato Grosso do Sul. Já as temperaturas tendem a ficar acima do normal em praticamente todo o território nacional, favorecendo episódios de ondas de calor, baixa umidade do ar e aumento do risco de queimadas. Impactos por região O boletim destaca que os efeitos do El Niño devem variar conforme a região. No Sul, o principal risco é o de grandes inundações. Os técnicos observam que, diferentemente de 2023, quando havia um forte déficit hídrico antes da chegada do fenômeno, a região inicia este novo episódio com condições muito mais úmidas, o que aumenta o potencial para cheias caso as chuvas persistam. No Nordeste, a preocupação é com o agravamento da seca. O documento aponta que a área afetada por seca moderada já alcança 40% da região, percentual superior ao observado no início do último El Niño, em 2023. A combinação entre estiagem e temperaturas elevadas pode comprometer a segurança hídrica e acelerar a perda de umidade do solo. Na Amazônia Legal, a expectativa é de atraso no início da estação chuvosa, prolongando a seca durante parte da primavera. O cenário favorece temperaturas acima da média, redução da disponibilidade hídrica e aumento do risco de incêndios florestais. Queimadas e agricultura O boletim também prevê forte intensificação do risco de fogo entre agosto e outubro. As áreas de alerta alto devem se expandir principalmente pelo Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, e por grande parte da Região Norte. Minas Gerais também aparece entre os estados com aumento do risco. Os técnicos recomendam reforço nas ações de prevenção e combate às queimadas. Na agropecuária, os impactos tendem a ser distintos. A redução das chuvas pode favorecer a colheita de milho de segunda safra e algodão em partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas também aumentar a deficiência hídrica, elevar a demanda por irrigação e comprometer culturas perenes e pastagens. No Sul, embora a maior umidade beneficie algumas lavouras, o excesso de chuva pode favorecer doenças fúngicas, atrasar colheitas e dificultar o preparo da próxima safra. Nas considerações finais, os órgãos responsáveis reforçam que a evolução do fenômeno exigirá acompanhamento permanente das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, além da atenção da população aos avisos e alertas oficiais da Defesa Civil.