Hortaliças, legumes e frutas são os itens que devem sofrer mais com o excesso de chuvas esperado com o fenômeno 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 As frutas devem ficar mais caras se o El Niño for tão severo quanto os especialistas estão esperando — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 23:10 El Niño Eleva Preços de Hortaliças e Carnes no Brasil O fenômeno El Niño deve impactar o clima e os preços dos alimentos no Brasil, com destaque para hortaliças, legumes e frutas, que podem subir devido ao excesso de chuvas. Economistas preveem alta de até 0,40 ponto percentual nos preços de alimentos in natura. As carnes também devem ser afetadas, com aumento estimado de 0,18 ponto percentual, enquanto grãos como arroz e feijão podem se normalizar mais rapidamente. A cesta básica já apresenta aumento de custo, com destaque para batata, tomate e cebola. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O fenômeno climático El Niño já começou a dar sinais de que será uma das principais fontes de pressão sobre a inflação nos próximos meses, e os alimentos devem ser o grupo mais afetado. A expectativa de economistas é que o excesso de chuvas aumente os preços desses produtos no segundo semestre, com impactos que tendem a ganhar força até o fim do ano. Os alimentos mais afetados serão os in natura, como hortaliças, tubérculos e frutas, que costumam ser mais sensíveis às condições climáticas. Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, prevê um impacto em 12 meses de até 0,40 ponto percentual nos in natura, se a intensidade do El Niño for tão forte quanto se espera. Nesse grupo estão alimentos como batata, tomate, cebola, cenoura e frutas em geral. Segundo a economista, o excesso de chuvas tende a afetar regiões importantes para o abastecimento, como o cinturão verde que vai de Mogi das Cruzes, em São Paulo, ao norte do Paraná, onde se concentra parte relevante da produção de hortaliças e legumes. — Os in natura têm um ciclo muito curto de produção. Então, você produz e, mesmo que tenha uma chuva muito forte e inunde a plantação, você planta de novo e cresce rápido. Mas é muita chuva. Esse cinturão verde no Brasil é a região que chove muito quando tem El Niño, e é a que mais produz frutas e tubérculos. Preço da carne pode cair Ela explica que os efeitos do El Niño devem começar já a partir de julho, seguindo em intensidade mais fraca até setembro, tornando-se moderados em outubro e fortes em dezembro. O segundo grupo que mais deve sentir os impactos do El Niño é o das carnes, que pode ter alta de até 0,18 ponto percentual, com uma defasagem de cinco meses até os efeitos começarem a aparecer. Quanto aos grãos como arroz e feijão, por mais que sofram os efeitos do extremo climático, a normalização da produção é mais rápida. No caso das proteínas, o que pode trazer certo alívio, segundo a economista, é o fim das cotas de importação da China e até a possibilidade de novas restrições da União Europeia. — Se estivéssemos exportando igual estávamos vendendo para a China, o preço da arroba do boi nesse momento estaria mais alto. Acho que isso equilibra um pouco. Tem um El Niño forte, com efeito no preço das carnes, mas, tem menos exportações e mais oferta de carne internamente — explica Angelo. Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, lembra que há um cenário desafiador na demanda doméstica por causa do ciclo pecuário. — O nível de abate está incompatível com uma inflação que desacelera, pelo contrário, indica que a inflação de carnes deve voltar a subir. Isso reflete o próprio ciclo do boi, com uma demanda doméstica também aquecida. Para ele, esses impactos já preocupam o Banco Central, que já informou que passou a trabalhar com a hipótese de um El Niño mais intenso. Cesta básica mais cara Os economistas alertam que o fenômeno climático pode aumentar a volatilidade da geração de energia elétrica e aumentar o risco de bandeiras tarifárias mais caras, sobretudo na primeira metade do próximo ano. Nos supermercados, os itens da cesta básica já vêm em alta. As vendas dos supermercados subiram em maio, 2,23% frente a abril, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que já constatou o aumento de preços. O custo da cesta básica ficou maior, principalmente por itens como feijão, leite e hortifrúti, em meio ao período de entressafra. Ela ficou, em média, 2,16% mais cara. Segundo o Abrasmercado, indicador que acompanha preços de uma cesta de 35 produtos, o valor médio pago pelo consumidor saiu de R$ 836,80 para R$ 854,91. A batata subiu 44,69% somente em maio e já acumula alta de 75,84% no ano. O tomate ficou 20% mais caro no mês e 86% no ano. Já a cebola subiu 16% em maio e 48% em 2026. Os preços do feijão e do leite também subiram. O primeiro, 6,44% e o segundo, 0,77%. Mas houve alguns alívios. O café ficou 8% mais barato no mês, assim como o açúcar refinado (-6,73%) e o óleo de soja (-6,65%). Os ovos recuaram 1% em maio, mas ainda acumulam alta de 7% no ano. Entre as carnes, os cortes traseiros (mais nobres) subiram 1,9% em maio e 9,97% no ano, enquanto os cortes dianteiros avançaram 5,84% no ano e 1,71% no mês. Para o setor, os preços devem seguir relativamente acomodados no curto prazo, mas os efeitos do El Niño causam preocupação. — Estamos de olho no El Niño. Estamos atentos à agricultura para saber como isso vai se comportar. Tudo isso aponta para uma tendência de possíveis aumentos de preços — afirmou Marcio Milan, vice-presidente da Abras.