Este ano, preços ao consumidor caíram, mas trégua deve durar pouco. Pressão no atacado deve chegar aos supermercados em 30 dias. Setor se preocupa ainda com efeito do El Niño 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Preços do café subiram com força nos últimos dois anos e, em 2026, estavam em queda para o consumidor. Mas chuvas em Minas e El Niño podem alterar cenário — Foto: Pexels RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 06/07/2026 - 12:12 Chuvas atrasam colheita de café em MG e elevam preços em 13% Chuvas intensas atrasam a colheita do café em Minas Gerais, provocando alta de mais de 13% no preço do arábica e 16% no robusta em menos de um mês. Essa situação, aliada aos baixos estoques mundiais e à especulação no mercado de futuros, pressiona os preços, que devem continuar elevados. A formação do El Niño gera incertezas sobre a próxima safra, aumentando a preocupação no setor. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois de dois anos de forte alta, o preço do café tinha dado uma trégua em 2026. De janeiro a maio, houve queda de mais de 8% nos supermercados. Mas o consumidor pode se preparar para novas altas nos próximos meses. Com chuvas atipicamente fortes durante a colheita em Minas Gerais, o preço do grão voltou a subir nas fazendas e a cotação do café disparou no mercado internacional. Queda da indústria reflete acomodação após forte alta de segmentos ligados ao petróleo, diz economista que vê ainda efeitos de redução de conflito no IrãSão Paulo supera o Rio e passa a ter a cesta básica mais cara do país Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-USP) mostram que a saca de 60 quilos do café arábica, que em 9 de junho chegou a custar apenas R$ 1.393,57, já era cotada a R$ 1.578,69, uma alta de mais de 13% em menos de um mês. Já o café robusta (conilon) chegou a R$ 1.070,57 por saca em 3 de julho, contra R$ 921,46 em 21 de junho, uma alta de 16% em pouco mais de dez dias. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial das variedades arábica e robusta — também conhecida como conilon. Os dois tipos de grãos costumam ser misturados pela indústria para equilibrar sabor, aroma e teor de cafeína. O pesquisador do Cepea Renato Garcia afirma que a recente recuperação dos preços recebidos pelos produtores foi impulsionada pelas chuvas intensas fora de época que atingiram importantes regiões cafeeiras durante o pico da colheita do arábica. O excesso de precipitações interrompeu o ritmo dos trabalhos no campo, reduziu temporariamente a oferta disponível e pressionou as cotações. — As colheitas ficaram praticamente paradas por duas semanas devido às chuvas intensas fora de época que prejudicaram o processo — conta. De acordo com o mestre em Economia e coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), André Braz, os preços devem permanecer elevados devido aos baixos estoques mundiais de café. Segundo ele, a valorização dos contratos futuros negociados na Bolsa de Nova York reforça a expectativa de novas altas. — A gente teve uma alta de cerca de 5% nos contratos de Nova York. Quando os fundos de investimento fazem esse movimento, eles sinalizam que esperam preços mais altos no futuro, já que esse é um mercado de natureza especulativa. Para Braz, a recente valorização é resultado de uma combinação de fatores, como a incerteza climática, a redução da oferta mundial, os estoques globais mais baixos e a valorização do dólar. Embora o indicador do Cepea reflita o preço recebido pelos produtores, o economista explica que esse movimento costuma ser repassado à indústria e, posteriormente, ao varejo. — Em cerca de 30 dias, o consumidor brasileiro já deve começar a sentir esse aumento nas prateleiras dos supermercados. O café é uma bebida muito consumida no Brasil e no mundo, então tudo indica que os preços devem permanecer elevados por mais algum tempo. Apesar da recuperação recente dos preços, o principal motivo de preocupação está no segundo semestre. Para Renato Garcia, a formação de um episódio de El Niño está praticamente confirmada e deve influenciar as condições climáticas nas principais regiões produtoras, aumentando a incerteza sobre a próxima safra. — O segundo semestre é uma grande interrogação para nós. Com um El Niño praticamente confirmado, não sabemos o que esperar.