Metade deste ano já se foi. A metade seguinte deverá escorrer tão apressada como a anterior, mas bem mais sujeita a tormentas.PUBLICIDADEUma delas é literal. Vem aí o impacto do fenômeno climático que os meteorologistas vêm denominando Super El Niño e para o qual vêm disparando alertas insistentes. Além das secas, das inundações e dos desastres, esse El Niño poderá aprontar graves dificuldades para o agronegócio e, a partir daí, para o avanço do PIB, para as exportações e para o controle tanto da inflação como das contas públicas.Como acontece com fenômenos dessa área, é difícil antever o tamanho da encrenca. A partir de setembro, os analistas contarão com dados mais confiáveis para seus prognósticos.Falta saber até que ponto Trump terá condições de manter sua política hostil ao governo Lula Foto: Ricardo Stuckert/PRAs eleições nacionais de outubro e novembro tendem a ampliar a radicalização já acirrada no País. Mas chegam com certa vantagem, nem sempre valorizada, a de que os dois principais candidatos são diabos conhecidos. Não são como foi Javier Milei para os argentinos.Mas há a considerar importantes custos ligados às campanhas. O mais óbvio é o enorme despejo de recursos eleitoreiros na economia interna, a maior parte com destinação de qualidade duvidosa. PublicidadeContribuirá para aumentar algumas mazelas da economia, como a do alargamento do rombo fiscal, a do avanço da dívida pública e as das pressões sobre a inflação e sobre o já baixo nível do investimento.Como é recorrente nas campanhas eleitorais, não se esperam nem debates sobre os temas mais importantes para o futuro do País, nem propostas de governo que planejem atacar os maiores problemas.O impacto estratégico virá com a temporada de eleições dos Estados Unidos. Será importante para o Brasil e para o mundo saber até que ponto o presidente Trump contará com maioria nas duas casas do Congresso, como tem hoje. O que precisa ser perguntado é se os políticos do Partido Democrata conseguirão explorar a perda de prestígio de Trump e quantas cadeiras mais obterão na Câmara dos Representantes e no Senado. Ou seja, falta saber até que ponto Trump terá condições de manter sua política hostil ao Brasil.Mas, do ponto de vista da economia brasileira, há uma questão ainda mais vital neste segundo semestre. Trata-se de saber até onde pode ir o aperto da política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. PublicidadeJá se tem como inevitável novo ciclo de alta dos juros, destinado a combater a inflação produzida pelas emissões excessivas do governo dos EUA e pelo aumento de custos da Guerra do Irã. Juros mais altos nas aplicações em dólares devem atrair mais capitais para os Estados Unidos. Seu principal efeito pode ser a redução do fluxo de moeda estrangeira para o Brasil e, por conta disso, a volta a certa desvalorização do real.Esse jogo cambial, por sua vez, poderá vir a ser nova fonte de pressão sobre o Banco Central do Brasil para que volte a puxar os juros para cima.