PUBLICIDADE O tom mais duro usado pelo novo presidente do Fed, Kevin Warshcom, sobre a inflação, impulsionou as expectativas de juros mais altos nos EUA e enfraqueceu apostas na moeda brasileira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Consumidora paga com nota de real — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 21:40 Real Cai Quase 3% em Junho com Alta dos Juros nos EUA e Incertezas Internas O real sofreu uma queda de quase 3% em junho, impactado pela postura rígida do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que elevou as expectativas de juros nos EUA, enfraquecendo a moeda brasileira. A decisão confusa do Banco Central brasileiro, ao cortar juros e alertar sobre a inflação, também pressionou o real. A moeda se tornou um "dano colateral" da redução global de posições em portfólios, acentuada pela queda dos preços do petróleo e incertezas fiscais internas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O dólar caminha para registrar seu pior desempenho mensal no ano, à medida que a recuperação do índice da divisa americana e a mudança nas expectativas para o cenário de juros nos Estados Unidos levam investidores a desmontar uma de suas operações de ‘carry trade’ preferidas. O real flutuava perto da estabilidade frente ao dólar americano nesta terça-feira, mantendo a queda acumulada em junho em cerca de 2,7% e reduzindo parte do desempenho excepcional da moeda no início do ano. O índice de moedas de mercados emergentes do MSCI recua 1% neste mês. A estreia de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, com um tom duro em relação à inflação, no início deste mês, impulsionou as expectativas de juros mais altos nos EUA e enfraqueceu apostas na moeda brasileira. Os ativos domésticos também foram pressionados por uma comunicação do próprio Banco Central tida por alguns agentes do mercado como “confusa”, com a autoridade monetária cortando os juros enquanto sinalizou riscos mais elevados para a inflação. “Foi definitivamente um mês difícil para o real, que vinha sendo uma das moedas de mercados emergentes preferidas pelos investidores”, disse Luis Estrada, estrategista do RBC Capital Markets. A moeda tornou-se “dano colateral da redução global de posições em portfólios”. O tom mais duro adotado por Warsh à frente do Fed elevou os rendimentos dos Treasuries e fortaleceu a divisa americana, levando o Bloomberg Dollar Spot Index ao maior nível do ano na semana passada. Ao mesmo tempo, a queda dos preços do petróleo contribuiu para que investidores reduzissem posições compradas que haviam montado no real durante o conflito com o Irã. O Banco Central reduziu os juros no início deste mês, em uma decisão amplamente esperada, mas a comunicação que acompanhou a decisão foi considerada ambígua por muitos investidores, ao alertar para a aceleração da inflação enquanto mantinha aberta a possibilidade de novos cortes. “Um Warsh mais duro teve seu papel, mas um BC mais brando também não ajudou o real”, disse Alejo Czerwonko, CIO para mercados emergentes nas Américas do UBS Global Wealth Management. Isso foi particularmente relevante “considerando que as expectativas de inflação no Brasil continuam longe de estar ancoradas, além das preocupações fiscais relacionadas à eleição”. Os mercados reagiram negativamente após a decisão, levando economistas a elevar suas projeções para a taxa Selic no fim do ano para 14%, indicando apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual. A liquidação dos ativos também levou o Tesouro Nacional a cancelar um leilão programado de títulos públicos no mercado doméstico, enquanto o Banco Central atuou no mercado à vista de câmbio para injetar liquidez. Para Benito Berber, economista-chefe para as Américas do Natixis, as perdas do real também refletem o enfraquecimento das expectativas de que um candidato de direita, favorável ao mercado, vencerá a eleição de outubro. Ainda assim, ele afirma que o movimento pode representar uma oportunidade de compra. “Praticamente tudo o que poderia dar errado para o real, de fato, se materializou nas últimas semanas”, disse Berber. “Uma parcela significativa das notícias negativas já foi incorporada aos preços.”
Real vira ‘dano colateral’ de turbulência nos EUA e cai quase 3% em junho, no pior mês do ano
O tom mais duro usado pelo novo presidente do Fed, Kevin Warshcom, sobre a inflação, impulsionou as expectativas de juros mais altos nos EUA e enfraqueceu apostas na moeda brasileira









