O consumidor está pagando o preço da crise do clima até na xícara. Uma pesquisa do Climate Central mostra que as mudanças climáticas provavelmente são as principais responsáveis pelo aumento no preço do café nos últimos anos.
O Brasil, que produz um terço do café do mundo, acumulou, entre 2021 e 2025, 70 dias extras de excesso de calor por ano que não existiriam sem as mudanças climáticas.
Em um mundo sem poluição por carbono, o Brasil teria hoje, em média, 117 dias por ano de calor prejudicial às lavouras de café. Com as mudanças climáticas, esse número chega a 187 dias. Ou seja, de cada quatro dias no Brasil, um já é um dia que o clima não deveria ser tão quente se não fosse pela crise do clima causada pela ação humana.
O relatório define como dias com temperatura prejudicial para as lavouras aqueles que registram máxima de ao menos 30°C. Isto porque esse patamar é considerado extremamente prejudicial para espécie arábica –a maior parte do que é cultivado no Brasil– e abaixo do ideal para os do tipo conilon ou robusta.
A metodologia usada pela Climate Central compara dois mundos: o mundo real, com temperaturas observadas, e um mundo contrafactual simulado —como seria o clima se não houvesse emissões de carbono acumuladas desde a industrialização. A diferença entre os dois mundos, medida em dias acima de um limiar crítico de temperatura, é o que se pode atribuir causalmente às mudanças climáticas.






