Um El Niño em ascensão ameaça interromper a produção de algumas das commodities agrícolas mais negociadas do mundo, provocando fortes oscilações nos preços e elevando o risco de escassez de alimentos e de inflação generalizada.
O fenômeno climático, que provoca chuvas intensas e secas e costuma ocorrer a cada dois a sete anos, já afetou os preços do café e do cacau, à medida que investidores antecipam danos às safras do Brasil à África Ocidental e ao Sudeste Asiático.
Os preços do café arábica subiram cerca de 30% desde o início de junho, para US$ 3,12 (R$ 15,91) por libra. A alta incluiu o maior ganho em um único dia em 47 anos.
O cacau teve uma movimentação igualmente acentuada. Os contratos futuros em Nova York subiram mais de 63%, de cerca de US$ 3.950 (R$ 20.145) por tonelada em meados de junho para uma máxima de oito meses, de US$ 6.455 (R$ 32.920), em 9 de julho, antes de recuarem para US$ 5.600 (R$ 28.560) na quinta-feira, ainda mais de 40% acima da mínima de junho.
Analistas do Rabobank apontaram uma correlação crescente entre os preços do café e do cacau, apesar de seus "fundamentos subjacentes muito diferentes", sugerindo que os investidores estão aplicando um "prêmio de risco do El Niño" às commodities agrícolas.










