0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas alertou que o El Niño pode elevar em até 49 milhões o número de pessoas em situação de fome aguda até o fim de 2027. — Foto: Domingos Peixoto O El Niño tem sido apontado por analistas como um fator adicional de incerteza capaz de pressionar a inflação e ameaçar o ciclo de redução dos juros no Brasil. Mas há um impacto potencialmente muito mais preocupante do que seus efeitos sobre a política monetária. Em comunicado divulgado ontem, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas (ONU) alertou que o fenômeno climático pode elevar em até 49 milhões o número de pessoas em situação de fome aguda até o fim de 2027. Segundo climatologistas, há 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño mais intenso este ano. O vento trouxe um aviso: preparar o país para o El NiñoIdeb mostra a importância da avaliação e prova que sucesso não depende de força econômica, mas de boa gestão O aquecimento das águas do Oceano Pacífico está acima da média e tende a provocar mudanças significativas no regime de chuvas e de temperaturas. Embora o epicentro do fenômeno esteja no Pacífico e seus efeitos sejam particularmente intensos na América do Sul, suas consequências alcançam diversas regiões do planeta, incluindo a costa africana. Por isso, o El Niño tornou-se uma das principais variáveis consideradas por governos, empresas e especialistas em análise de risco. O governo brasileiro criou uma sala de situação, com representantes de vários ministérios, para monitorar a evolução do fenômeno e coordenar medidas de resposta. No Brasil, os efeitos costumam incluir seca na Região Norte, ondas de calor no Centro-Oeste — elevando o risco de incêndios, especialmente no Pantanal — e chuvas intensas na Região Sul, aumentando a probabilidade de enchentes. A preparação envolve desde o planejamento do transporte de alimentos para comunidades que podem ficar isoladas até estratégias para minimizar os impactos sobre a logística e o escoamento da produção, especialmente em áreas como a Zona Franca de Manaus, que depende do transporte fluvial que pode ser inviabilizado pela seca dos Rios. É verdade que o El Niño pode afetar a inflação e, consequentemente, influenciar a política monetária — um risco mencionado no comunicado divulgado pelo Banco Central nesta quarta-feira. Mas essa é apenas uma parte do problema. O desafio mais importante para governos, nas esferas federal, estadual e municipal, e também para as empresas, é fortalecer a capacidade de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos, que tendem a se tornar cada vez mais frequentes. Em qualquer cenário, a prioridade deve ser proteger vidas. Esse precisa ser o princípio orientador das políticas públicas diante de um clima cada vez mais imprevisível.