Economistas no Brasil esperam que o fenômeno climático El Niño tenha um impacto significativo sobre a inflação neste ano e no próximo, o que ainda não foi totalmente incorporado às suas previsões, segundo enquete do Banco Central divulgada nesta quarta-feira (24).

A estimativa mediana de quase cem economistas consultados no mais recente questionário pré-Copom, encaminhado antes da decisão sobre a taxa de juros da semana passada, apontou para um impacto de 0,3 ponto percentual na inflação medida pelo IPCA em 2026 e de 0,4 ponto em 2027.Esta foi a primeira vez desde janeiro de 2024 que o BC incluiu no questionário periódico uma pergunta sobre o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela redistribuição das chuvas, que deve se intensificar no segundo semestre deste ano.

Os entrevistados afirmaram já ter incorporado cerca de dois terços desse impacto em suas estimativas para os preços ao consumidor neste ano, mas apenas metade para o próximo ano.

A pesquisa mostrou que o IPCA deve fechar este ano em 5,2% e em 4,2% no próximo, em ambos os casos bem acima da meta de 3% do banco central.

O questionário também mostrou que o mercado esperava —antes da reunião em que a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual para 14,25%— que a taxa básica de juros fechará o ano em 14%, indo a 12% no fim de 2027.PREÇOS DOS ALIMENTOS EM DESTAQUE