A onda de calor na Europa que não deu trégua nos últimos dias tem mexido com a rotina de moradores e turistas, que tentam amenizar temperaturas sufocantes para o Velho Continente e evitar uma escala de problemas de saúde — que já desencadearam centenas de mortes e lotações em hospitais. O verão mal começou, há menos de uma semana, e os termômetros em muitas cidades, de vários países, atingem recordes históricos ao ultrapassarem a marca dos 40°C. Na turística e requisitada Paris não é diferente. A capital francesa tem tentado se ajustar a um cenário sem vislumbre de refresco no horizonte, o que leva moradores e turistas a se adaptarem como puderem. Os apartamentos de Paris não são preparados para ondas de calor, especialmente os localizados nos sótãos sob os tradicionais telhados de zinco da capital. Para evitar que as casas virem fornos, muitos moradores instalaram tecidos, mantas térmicas e até papel-alumínio nas janelas. Ao mesmo tempo, começa a cair o tabu em torno do ar-condicionado, durante muito tempo malvisto no país. O estilista de moda Jonathan Richter comprou um aparelho nesta sexta-feira (26) após tentar enfrentar o calor com dois ventiladores. — Não adiantou nada. Moro no quinto andar, logo abaixo do telhado. Não tenho escolha — afirmou. Outra alternativa é deixar a cidade, como fez Laure, que se refugiou na casa da avó, no interior, com o bebê de dez meses e o companheiro. — Já não é apenas uma questão de conforto, é realmente uma questão de saúde — disse. Parques e canais abertos A Prefeitura de Paris determinou a abertura dos parques 24 horas por dia e autorizou o banho no canal Saint-Martin. — É o último refúgio de frescor — resume Lucas Minthe, de 28 anos. — (Em casa) O termômetro marca 45°C — conta. — É uma questão de sobrevivência". Uma mulher descansa na grama para se proteger do calor no Parc des Buttes-Chaumont, em Paris, no final do dia 25 de junho de 2026, enquanto a França enfrenta uma onda de calor — Foto: Dimitar Dilkoff / AFP As autoridades, porém, alertam para os riscos dos mergulhos improvisados. Em toda a França, pelo menos 55 pessoas morreram afogadas durante a atual onda de calor. Segundo a ministra dos Esportes, Marina Ferrari, 65% dos casos ocorreram em locais de banho sem vigilância ou não autorizados. A atual onda de calor na Europa tem sido particularmente intensa na França, que registrou as duas noites mais quentes de sua história e um aumento nos casos de parada cardíaca. Escolas fechadas Muitas creches e escolas de ensino fundamental suspenderam as aulas ou pediram que os pais buscassem as crianças ao meio-dia. Na escola Marsoulan, pais instalaram mantas térmicas nas janelas e fizeram uma vaquinha para comprar lonas de sombreamento. — No ano passado chegamos a 38,6°C. Agora, esse recorde provavelmente será superado — afirmou Gaëlle Roubere, representante da associação de pais. Sindicatos de professores convocaram uma greve para protestar contra "condições de trabalho inaceitáveis". Mudança nos planos dos turistas A onda de calor também afetou a Torre Eiffel e o Museu do Louvre, que anteciparam o horário de fechamento. O alemão Robert Bieber, de 63 anos, desistiu de visitar o Louvre. — Vejo a fila sob o sol... E dizem que lá dentro também não está fresco — justificou. Especialistas, porém, não esperam queda no turismo, mas sim mudanças nos hábitos dos visitantes. A Torre Eiffel, que recebe quase 7 milhões de visitantes por ano, dos quais aproximadamente 75% são estrangeiros. Essa situação obrigou outra atração popular, o Mont Saint-Michel (oeste), a aconselhar os turistas a adiarem sua visita. Outros museus, principalmente em Lyon (centro) e Nantes (oeste), oferecem entrada gratuita para que as pessoas possam se refrescar em ambientes fechados. França sedia cúpula do G7: Veja fotos 1 de 12 França sedia cúpula do G7 — Foto: Ludovic MARIN / AFP 2 de 12 O presidente anfitrião, Emmanuel Macron, quer impulsionar uma agenda de temas sensíveis — Foto: Ludovic MARIN / AFP X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Lula se encontra com Macron durante cúpula do G7 — Foto: Yoan VALAT / POOL / AFP 4 de 12 Emmanuel Macron e Donald Trump durante reunião bilateral — Foto: Ludovic MARIN / POOL / AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Os líderes das sete maiores economias do mundo se reunirão em Évian-les-Bains, às margens do Lago de Genebra — Foto: LAURENT GILLIERON / POOL / AFP 6 de 12 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da Suíça, Guy Parmelin — Foto: LAURENT GILLIERON / POOL / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lula e Janja chegam para o encontro — Foto: Ludovic MARIN / POOL / AFP 8 de 12 Presidente da França, Emmanuel Macron, conversa com pessoas que farão a segurança do local — Foto: Christian Hartmann / POOL / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen — Foto: Ludovic MARIN / AFP 10 de 12 Keir Starmer, Primeiro-ministro do Reino Unido, chega com a esposa, Victoria Starmer — Foto: Isabel Infantes / POOL / AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Encontro é dominado pela análise do acordo do presidente Donald Trump para encerrar a guerra com o Irã — Foto: Mandel NGAN / AFP 12 de 12 O presidente da Suíça, Guy Parmelin, recebe Giorgia Meloni, Primeira-ministra da Itália — Foto: MARTIAL TREZZINI / POOL / AFP X de 12 Publicidade Reunião com o grupo das maiores economias do mundo acontece nesta segunda-feira (15) Hospitais sob pressão Em uma medida incomum, as autoridades proibiram o consumo de bebidas alcoólicas nas ruas de Paris durante o fim de semana para reduzir a pressão sobre hospitais e serviços de emergência. O álcool, além do efeito diurético, interfere no hormônio antidiurético, aumentando a perda de líquidos e mascarando sinais de fadiga. A desidratação é um dos fatores que podem levar à internação em períodos prolongados de calor excessivo. A redução de bebidas alcoólicas pode minimizar os efeitos das altas temperaturas no corpo. — Nossa sala de emergência está lotada — afirmou o chefe do pronto-socorro do hospital Paris-Saclay, Nicolas Gonzales, durante visita da ministra da Saúde, Stéphanie Rist. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, informou um "aumento da mortalidade" na capital, sem divulgar números. Na quarta-feira, foram registrados 25 casos de parada cardíaca em apenas 24 horas, contra "menos de dez habitualmente", segundo Rist. As autoridades ainda não divulgaram um balanço de mortos, mas a atual onda de calor revive a lembrança da registrada em 2003, quando quase 15 mil pessoas morreram na França.