Quase 50 mortes por afogamento foram registradas apenas na França devido às altas temperaturas Jovens se refrescam na fonte Fontaine de l'Observatoire enquanto as temperaturas sobem em Paris e uma onda de calor atinge grande parte da França, 18 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Abdul Saboor/Foto de Arquivo A intensa onda de calor que atinge a Europa Ocidental, responsável por mais de 40 mortes somente na França, está sendo sustentada por um padrão meteorológico conhecido como “bloqueio ômega”. Veja o que é esse fenômeno e se as mudanças climáticas podem torná-lo mais frequente nos próximos anos. O que é um “bloqueio ômega”? O bloqueio ômega recebe esse nome porque seu formato lembra a letra grega Ω: uma área central de alta pressão, associada a tempo estável e mais quente, fica presa entre dois sistemas de baixa pressão mais frios. O termo “bloqueio” refere-se ao fato de que essa massa de ar quente de alta pressão fica estacionada. Em condições normais, a corrente de jato transporta os sistemas meteorológicos de forma contínua de oeste para leste. Mas, durante um bloqueio ômega, esse fluxo é interrompido e pode sofrer grandes ondulações para o norte e para o sul, isolando os sistemas de pressão. Ventos de condução mais fracos e diferenças de temperatura na atmosfera contribuem para a formação desses padrões lentos e persistentes. O resultado é que o ar quente e estagnado permanece sobre a mesma região. Os bloqueios ômega costumam durar entre três e dez dias, mas podem persistir por semanas. O que acontece durante esse bloqueio? Sob a área de alta pressão localizada no centro do sistema, as condições tornam-se quentes e secas. A alta pressão também inibe a formação de nuvens, resultando em céu limpo e ensolarado, o que permite que as temperaturas subam. São essas condições que estão castigando França e Espanha, onde as temperaturas ultrapassaram os 40°C. Já as regiões localizadas nas áreas de baixa pressão que margeiam a onda de calor tendem a registrar condições mais amenas e chuvosas. O Reino Unido está situado na fronteira entre o sistema de alta pressão e a massa de ar mais frio a noroeste, produzindo calor intenso no sul e no leste do país e condições mais frias e úmidas no norte e no oeste, segundo o serviço meteorológico britânico Met Office. Uma mulher carrega um ventilador elétrico em uma caixa de papelão enquanto caminha por uma rua em Paris, em meio a uma onda de calor que afeta grande parte da França, em 23 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Abdul Saboor As mudanças climáticas são responsáveis? Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre como as mudanças climáticas afetam a frequência de eventos de bloqueio atmosférico como este. No entanto, há um consenso científico global de que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade das ondas de calor. As emissões de gases de efeito estufa, principalmente decorrentes da queima de carvão, petróleo e gás, elevaram a temperatura média do planeta em cerca de 1,3°C desde a era pré-industrial. Esse patamar mais elevado de temperatura faz com que as ondas de calor atinjam níveis ainda maiores. A Europa está vivenciando atualmente ondas de calor entre 2°C e 4°C mais intensas do que seriam sem o aquecimento provocado pela atividade humana, afirmou Clair Barnes, pesquisadora associada em clima e eventos meteorológicos extremos do Imperial College London. Como resultado, quando padrões atmosféricos como os bloqueios ômega ocorrem, o calor gerado pode ser significativamente mais intenso.
O que é o ‘bloqueio ômega’ que provoca a intensa onda de calor na Europa?
Quase 50 mortes por afogamento foram registradas apenas na França devido às altas temperaturas













