Neste domingo (28), mais de 190 milhões de pessoas devem enfrentar temperaturas de pelo menos 35°C em diferentes regiões europeias. Desde 20 de junho, o calor extremo também levou vários países a registrar temperaturas recordes. A Alemanha alcançou 41,5°C no sábado, a maior temperatura já medida no país, superando a marca registrada apenas um dia antes. O serviço meteorológico alemão ainda alertou que os termômetros poderiam se aproximar dos 42°C. Na República Tcheca, a temperatura chegou a 40,8°C ao norte de Praga, com previsão de ultrapassar os 41°C neste domingo. Em Basileia, na Suíça, os termômetros marcaram 39°C, estabelecendo pelo terceiro dia seguido um novo recorde para o mês de junho. Já a Dinamarca registrou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições no país. Hospitais, transporte e energia são afetados A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, afirmou ao jornal "La Tribune" que os efeitos do calor extremo podem continuar sendo sentidos por até dez dias, mesmo após a queda das temperaturas. Em entrevista à emissora BFM, ela alertou que "o episódio ainda não acabou". Além da França, a Espanha associou 212 mortes registradas em um intervalo de quatro dias ao calor extremo. Em diferentes países, hospitais, serviços de emergência e autoridades locais adotaram medidas para atender ao aumento da demanda e reduzir os riscos à população. Em Paris e Viena, por exemplo, os atendimentos de emergência aumentaram. Ao mesmo tempo, festivais, eventos ao ar livre e manifestações foram cancelados, adiados ou adaptados por causa das altas temperaturas e dos alertas meteorológicos. Os efeitos também chegaram à infraestrutura e ao setor de energia. Segundo a Reuters, o aquecimento das águas do rio Danúbio levou a usina nuclear de Paks, na Hungria, a reduzir a geração de eletricidade para manter a água usada no resfriamento dos reatores dentro dos limites de segurança. Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram as regras para cancelamento de viagens devido ao risco de deformação dos trilhos. O calor também provocou rachaduras em trechos de rodovias. Uma mulher com um leque perto da Torre Eiffel durante onda de calor em Paris, em 20 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier Mudanças climáticas e os riscos econômicos Além dos impactos imediatos, especialistas alertam para consequências econômicas de longo prazo. Cientistas avaliam que uma onda de calor dessa magnitude seria praticamente impossível sem o aquecimento global provocado pela ação humana. Além disso, eventos como esses tendem a se tornar mais frequentes, mais duradouros e mais intensos. 🌡️ O episódio atual foi favorecido por um padrão atmosférico conhecido como "bloqueio ômega", que mantém uma massa de ar quente sobre uma mesma região por vários dias, dificultando a chegada de frentes frias. Além dos impactos imediatos, especialistas também alertam para os efeitos econômicos das ondas de calor. Em entrevista à Deutsche Welle, a economista Katharina Utermöhl, pesquisadora de políticas econômicas da seguradora Allianz, afirma que temperaturas acima de 30°C reduzem a produtividade, aumentam o consumo de energia e elevam o número de afastamentos por problemas de saúde. "Acima de 30 graus, a produtividade cai 3% por grau adicional, enquanto os custos de energia aumentam 1,2% por grau." Para a economista, o calor extremo deixou de ser apenas um evento climático passageiro e passou a representar um desafio permanente para a economia. Um estudo da Allianz estima que, se episódios de calor intenso se tornarem mais frequentes, as perdas acumuladas para a economia alemã entre 2026 e 2030 poderão chegar a US$ 131 bilhões. *Com informações das agências de notícias France Presse, Deutsche Welle, Reuters e RFI O que é o 'domo de calor' que está causando temperaturas extremas na Europa — Foto: Reteurs *Com informações das agências de notícias France Presse, Deutsche Welle, Reuters e RFI