Imagine um restaurante que cobra R$ 300 por um jantar. À primeira vista, parece caro. Mas, se ele tiver três estrelas Michelin, talvez seja uma excelente relação entre preço e qualidade.
Agora imagine que o chef foi embora, o cardápio perdeu qualidade e os clientes passaram a desconfiar da comida. Os mesmos R$ 300 já não significam a mesma coisa. O preço não mudou. O contexto, sim. Com a Bolsa brasileira acontece algo semelhante.
Nos últimos meses, principalmente, depois da desvalorização de mais de quase 15% das máximas, tornou-se comum ouvir que a Bolsa brasileira estaria barata porque negocia próximo de 8 vezes o lucro das empresas, abaixo de sua média histórica. A conclusão parece intuitiva: se antes os investidores pagavam múltiplos maiores, basta esperar que tudo volte à média.
Mas existe um problema nessa comparação.
O múltiplo preço lucro não determina quanto uma Bolsa deveria valer. Ele é apenas o resultado da forma como o mercado enxerga algumas variáveis fundamentais como: a taxa de juros, o crescimento esperado dos lucros e o risco. Quando essas variáveis mudam, o múltiplo também muda.












