Existe uma cena curiosa em muitos restaurantes da moda. Basta algumas pessoas influentes começarem a frequentar o local para que filas apareçam rapidamente na porta. O mais interessante é que, muitas vezes, a comida sequer mudou. O que mudou foi apenas a direção da atenção. Com os mercados financeiros globais acontece algo parecido.
O gráfico abaixo das últimas semanas mostra quase uma coreografia entre o Ibovespa e o fluxo de investidores estrangeiros. Quando o capital externo entrou com força, nossa Bolsa subiu. Quando esse fluxo começou a sair, o índice perdeu tração praticamente no mesmo instante.
Em 2026, até meados de abril, o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira acumulava entrada líquida próxima de R$ 70 bilhões. Desde então, o movimento virou. A saída já supera R$ 25 bilhões até a última sexta-feira. E foi exatamente em meados de abril o ponto de reversão que o Ibovespa atingiu sua máxima histórica próxima dos 199 mil pontos.
No início do ano, o Brasil parecia reunir tudo aquilo que o investidor global desejava. O país oferecia forte exposição a commodities justamente em um momento em que muitos gestores buscavam reduzir dependência dos Estados Unidos. Além disso, a guerra no Oriente Médio elevava o preço do petróleo e aumentava o interesse por economias ligadas a recursos naturais.













