Afinal, existe ou não existe pluralismo na USP, considerada a melhor universidade do Brasil e da América Latina? Com mais de 90 mil alunos, a Universidade de São Paulo está aberta ao dissenso ou há debates interditados e autocensura?

Em meio à polarização política, a discussão sobre a existência ou não de liberdade acadêmica no Brasil ganhou espaço com a divulgação do "Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica", no mês passado.

O documento foi lançado após um encontro realizado no Centro MariAntonia. Denuncia uma escalada de conflitos, autocensura e intolerância ao dissenso nas universidades, com eventos e aulas cancelados, interrompidos ou boicotados, participantes intimidados e expostos publicamente e até casos de agressões físicas. O manifesto já foi assinado por mais de 1.500 docentes, pesquisadores e estudantes de mais de 160 instituições de ensino superior, além de representantes da comunidade externa às universidades.

Surgiu na sequência outro documento, contrário, intitulado "Em Defesa do Pluralismo Encarnado: Contra-manifesto pela Igualdade Democrática nas Universidades". Com mais de 600 assinaturas de cerca de 120 instituições de ensino superior, defende que o primeiro manifesto é resultado de "ressentimento na defesa de um pluralismo assentado na racionalidade neoliberal". Argumenta que a liberdade não deve ser "abstrata", mas "endossada pelo princípio de igualdade democrática" e que considere a "história como movimento de lutas e disputas", "aprendizagem social de longo prazo".