Eleições 2026
O vídeo publicado por Michelle Bolsonaro nas redes sociais, em 24 de junho, não é apenas uma briga de família em praça pública, como algumas análises insistem em expressar. É, também, uma peça bem elaborada de comunicação política com todos os ingredientes de um fenômeno ainda pouco nomeado no Brasil: o populismo religioso digital.
O populismo religioso combina os elementos clássicos do populismo (o “povo” contra as “elites”, um líder carismático, um inimigo a derrotar) com base em matriz religiosa. No ambiente digital, essa prática ganha força multiplicada pela viralização, pela mobilização emocional permanente e pela construção simultânea de comunidades morais e de lealdade política.
É uma dinâmica próxima à descrita pelo relatório O Partido Digital Bolsonarista, do CCI/Cebrap em parceria com o Instituto Democracia em Xeque. O estudo sustenta que o bolsonarismo opera para além da estrutura partidária convencional, como um ecossistema digital capaz de organizar mobilização, códigos morais e cadeias de lealdade em torno de lideranças e influenciadores.
A primeira coisa que chama atenção no vídeo é que ele não é uma gravação improvisada. É uma produção cuidadosa, com cenário deliberadamente composto. E é nele que começa a comunicação religiosa com o público-alvo.











