[RESUMO] A divulgação do vídeo de Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio não deve ser interpretada como gesto de desunião familiar ou erro de comunicação, sustenta a autora, mas como expressão de um método de mobilização de eleitores em que até a exposição de fissuras familiares tem espaço.

A polêmica envolvendo Michelle Bolsonaro e o pré-candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência, Flávio Bolsonaro, vem repercutindo nas últimas semanas. O debate, vamos chamar assim, incluiu o vídeo divulgado pela ex-primeira-dama e ex-presidente do PL Mulher, que teve desdobramentos sobre a relação do bolsonarismo com as mulheres, e a declaração misógina do influenciador Paulo Figueiredo.

Paralelamente aos conflitos inerentes ao jogo político e àqueles específicos do clã Bolsonaro, a peça de marketing político mais comentada dos últimos tempos, produzida e difundida por Michelle, deveria nos alertar sobre as lentes que estamos usando para ler os novos tempos da política brasileira.

A extrema direita no Brasil criou um novo tipo de organização política: uma nova forma de articular forças, mobilizar eleitores e comunicar os seus valores. Precisamos olhar para essas mudanças para conseguirmos adotar novas lentes de leitura.