Nas últimas semanas, uma parcela da direita entrou em embate tendo em vista a formação de chapas e a disputa de forças para as eleições de 2026. O principal evento da semana passada foi o vídeo de Michelle acusando Flávio Bolsonaro de tê-la desrespeitado. Flávio inicialmente ironizou e depois pediu desculpas, receoso do impacto que as acusações poderiam ter no eleitorado feminino. No vídeo de Flávio, é evidente a preocupação quando destaca de maneira enfática a importância das mulheres em sua vida.Os números mostram que esse tiroteio dentro da direita pode produzir danos irreversíveis para as candidaturas. Até 23 de junho, véspera do vídeo, a ex-primeira-dama aparecia em menos de 3% das mensagens. Sem considerar as menções a Lula, e tendo em vista apenas aqueles que se posicionaram sobre os nomes mencionados, esse número saltou para 45% quando chegou ao seu pico, no dia 25 de junho, de acordo com a Palver, que realiza um monitoramento em tempo real em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram. No mesmo intervalo, o escândalo do Banco Master, que vinha ocupando 86% das conversas envolvendo a família Bolsonaro e Jaques Wagner (PT), recuou para perto de 43%.

A maior parte do bolsonarismo, mais ligado a Flávio, teve como estratégia o ataque direto a Michelle Bolsonaro. Uma parcela optou por apontá-la como uma agente de divisão da direita, representando pouco mais de 16% das menções, acusando-a de ser alguém que "implode" e "racha" o movimento às vésperas da eleição. Houve também um grupo que a acusou de ser movida por ambição e projeto pessoal de poder, com destaque para os pedidos de registro da marca "Bolsonaro" e o uso da estrutura do PL, que reúne cerca de 5.200 mulheres conservadoras, como trampolim próprio. Esse grupo também acusa a ex-primeira dama de traição, destacando que ela teria "apunhalado" o legado do marido.