Ex-primeira-dama afirma ter sido humilhada e desrespeitada pelo senador e reclama de tom ríspido usado por enteado em telefonema 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro — Foto: Renan Areias e Cristiano Mariz RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/06/2026 - 20:22 Tensões entre Michelle e Flávio Bolsonaro agitam campanha do PL O vídeo de Michelle Bolsonaro expondo divergências com Flávio Bolsonaro gerou reações mistas entre aliados do PL. Enquanto alguns minimizam o impacto, outros temem prejuízos à campanha presidencial do senador, especialmente entre eleitoras. Michelle, que detém influência significativa entre mulheres evangélicas, criticou Flávio por desrespeito, mas reafirmou apoio à sua candidatura. A situação evidencia tensões internas no bolsonarismo e levanta dúvidas sobre o envolvimento futuro de Michelle na campanha, crucial para conquistar o eleitorado feminino. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliaram que as declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, sua madrasta, poderá ter impacto na campanha do parlamentar ao Palácio do Planalto. Embora uma ala do partido publicamente minimize e evite tratar o episódio como crise, em reservado, integrantes da sigla dizem veer a exposição das divergências como desnecessárias. O temor é que o conflito possa dificultar a aproximação de Flávio com o eleitorado feminino, considerado estratégico para a campanha. Na avaliação de integrantes da campanha, Michelle reúne um patrimônio político difícil de substituir entre mulheres evangélicas e lideranças do PL Mulher. Um aliado resume a preocupação dizendo que o episódio atinge justamente um eleitorado que Flávio "não podia perder de jeito nenhum". A avaliação é que um eventual distanciamento da ex-primeira-dama pode repercutir entre esses grupos e reduzir um dos principais ativos políticos da campanha. Apesar disso, a direção do PL procura minimizar a crise. O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou confiar que a legenda conseguirá superar o episódio “com muita paciência e equilíbrio”. Ao mesmo tempo, reconheceu que a exposição pública do conflito pode ter efeitos negativos. — Não é normal que assuntos internos sejam expostos em redes sociais. Mas tenho plena confiança que o partido saberá conduzir com equilíbrio os próximos passos — afirmou. Já o líder do PL no Senado, o senador Carlos Portinho (RJ), defendeu a "união" da direita para que o campo consiga "tirar Lula do poder". Para ele, é preciso "lavar a roupa suja", mas não no período eleitoral. — Só venceremos unidos. Há um apelo por unidade. Todo gesto para compor é valido. Ha pessoas presas injustamente e perseguidos politicos. Não pode haver nada maior que isso. Que se lave a roupa suja, mas quando chegar o período eleitoral, que se deixe de lado por gestos recíprocos. Nosso adversário e do Brasil está do outro lado. Eleger Flávio Bolsonaro é tirar Lula do Poder. Integrante da bancada bolsonarista na Câmara, o deputado Zé Trovão (PL-SC), por sua vez, criticou o fato de Michelle ter escancarado o conflito com Flávio nas redes sociais. Segundo ele, a disputa familiar deveria permanecer restrita ao ambiente privado e a exposição acaba desviando o foco da oposição em um momento em que o país enfrenta problemas econômicos e de segurança pública. — Isso é prejudicial, é ruim, mancha uma imagem. Porque quando você pega a fala da Michelle dizendo que o Flávio foi desrespeitoso com ela, isso tudo gera para as mulheres que assistem um pouco de resistência ao Flávio. E a gente sabe que o presidente Bolsonaro já tinha essa dificuldade com o público feminino, justamente por ser um cara mais ríspido. Agora acontece uma situação dessas. Fica muito ruim para o Flávio essa imagem — afirmou ele, que vê falta de maturidade dos dois lados. — Parece criança brigando no colégio e levando essa briga para as redes sociais. Falta maturidade emocional, falta maturidade política. Eu admiro muito a dona Michelle, mas também entendo que ela sofre muitos ataques. Chega uma hora que a pessoa cansa — disse. Um interlocutor próximo ao núcleo da pré-campanha avalia que Michelle, ao expor a divergência com Flávio, tenta valorizar seu peso político no PL e demonstrar que continua sendo uma liderança indispensável dentro do grupo, ampliando sua influência sobre os rumos do bolsonarismo. Outro aliado de Flávio, porém, demonstrou preocupação também com os efeitos da crise sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação desse interlocutor, Bolsonaro ficou em uma espécie de "sinuca de bico", já que o conflito opõe sua esposa e o filho escolhido por ele para disputar a Presidência da República em 2026. A leitura é que, mais cedo ou mais tarde, o ex-presidente poderá ser pressionado pelos filhos a se posicionar sobre o episódio, o que tende a ampliar o desgaste interno caso a crise não seja contornada. Mas nem todos viram a divulgação do vídeo como negativa. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das principais aliadas da ex-primeira-dama, elogiou a forma como ela decidiu abordar o episódio. — Ela foi verdadeira, firme, serena e esclareceu tudo. Esperou meses tudo ser resolvido e não deram nenhum passo em direção a ela. Mas acho que agora é possível um diálogo — afirmou Damares. Ofensiva de Michelle As avaliações foram motivadas pelo vídeo publicado por Michelle nas redes sociais na quarta-feira. Na gravação, a ex-primeira-dama afirmou que decidiu romper o silêncio para responder aos ataques sofridos nos últimos meses e detalhou um episódio ocorrido após se posicionar contra uma aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Segundo Michelle, Flávio publicou críticas contra ela nas redes sociais sem procurá-la antes e, quando os dois finalmente conversaram por telefone, o senador teria sido ríspido. — Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política — afirmou. Michelle disse ainda que, desde essa conversa, nunca mais voltou a procurar o enteado e que, apesar do episódio, continua apoiando sua candidatura à Presidência da República. Ao encerrar a gravação, agradeceu às dirigentes estaduais e municipais do PL Mulher pelo apoio que, segundo ela, vêm dando à pré-candidatura de Flávio. No vídeo, Michelle também afirmou que Flávio e os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro a criticaram de forma coordenada após ela se posicionar contra uma aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. Segundo a ex-primeira-dama, ela pediu desculpas caso os enteados tenham se sentido ofendidos, mas manteve a avaliação de que a aproximação com o ex-ministro é incompatível com os valores defendidos pelo bolsonarismo. O episódio tem origem em um impasse iniciado no fim do ano passado, quando Michelle passou a criticar publicamente as negociações conduzidas por dirigentes do PL cearense para construir uma aliança com Ciro Gomes. Na época, a ex-primeira-dama entrou em rota de colisão com Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, que defenderam a articulação. Dias depois, Flávio pediu desculpas a Michelle e o partido suspendeu as conversas. A preocupação tem relação direta com um dos principais desafios da campanha de Flávio. Integrantes do núcleo político do senador reconhecem que ele ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua aceitação entre o eleitorado feminino, segmento em que pesquisas internas e levantamentos de instituições de pesquisa apontam desempenho inferior ao registrado por seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é que, para ultrapassar o petista, Flávio precisará reduzir essa diferença ao longo da campanha. Nesse cenário, Michelle era vista por integrantes do PL como uma das principais pontes para diminuir essa resistência. À frente do PL Mulher desde 2023, a ex-primeira-dama construiu uma rede nacional de lideranças femininas, ampliou a presença da sigla entre mulheres e consolidou influência sobre o eleitorado evangélico, considerado um dos pilares do bolsonarismo. A expectativa entre aliados era de que ela tivesse papel central na estratégia de aproximar Flávio desse público durante a campanha. Essa aposta havia ganhado força com a entrada da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) na área dedicada a programas voltados às mulheres e aos direitos humanos da pré-campanha de Flávio. Muito próxima de Michelle, Damares era vista por integrantes do grupo como uma interlocutora capaz de reduzir o distanciamento entre madrasta e enteado e estimular uma participação mais ativa da ex-primeira-dama na campanha presidencial. O vídeo divulgado por Michelle, no entanto, aumentou a incerteza sobre essa estratégia. O vídeo marca mais um capítulo das divergências internas no entorno de Jair Bolsonaro em meio à construção da candidatura presidencial do senador. Embora aliados insistam que a crise será superada, a avaliação predominante é que caberá justamente a Michelle definir o grau de envolvimento que terá na campanha do enteado nos próximos meses. Há poucas semanas, quando questionada se iria se engajar na campanha presidencial de Flávio, Michelle respondeu que participaria apenas "no momento certo", sem detalhar quando ou de que forma isso ocorreria. Após a divulgação do vídeo, aliados admitem que a intensidade desse apoio voltou a ser uma das principais incógnitas da pré-campanha.
Aliados veem vídeo de Michelle como exposição desnecessária de divergências com Flávio e temem prejuízo à campanha
Ex-primeira-dama afirma ter sido humilhada e desrespeitada pelo senador e reclama de tom ríspido usado por enteado em telefonema










