Eleições 2026
O vídeo de Michelle Bolsonaro expõe e intensifica um confronto aberto no campo bolsonarista. Da construção do cenário à escolha das palavras, é evidente que a ex-primeira dama não somente escolheu se distanciar da candidatura Flávio Bolsonaro, mas quis prejudicá-lo em determinados setores do eleitorado nos quais é particularmente popular, como as mulheres evangélicas. O movimento abre uma disputa explícita pela liderança do bolsonarismo e mostra, a aliados e a adversários, que lideranças importantes do campo já dão como certa a derrota em 2026.
Além dessas questões mais superficiais, o caso revela alguns aspectos centrais do atual cenário e do futuro da ultradireita brasileira. Por um lado, torna-se cada vez mais difícil manter unida a coalizão que esteve com Bolsonaro em 2018 e 2022. Os áudios de Daniel Vorcaro não apenas puseram um fim à pacificação promovida pelo bom desempenho de Flávio nas pesquisas, logo após o anúncio de sua candidatura, como aumentaram os conflitos internos.
Sem a expectativa do poder em 2027, muitos parecem querer se distanciar da conta da derrota, ou mesmo preferir uma derrota maior, de modo a retirar qualquer possibilidade de continuidade do filho de Bolsonaro como líder do campo. Neste cenário, com Flávio abalado pelo resultado eleitoral, Eduardo fora do Brasil e o ex-presidente preso, estaria aberto o caminho para novos nomes capazes de liderar o espólio do bolsonarismo, ou mesmo para substituí-lo por outra coalizão de ultradireita. O caso também revela uma fragilidade importante.











