Dois fatos recentes indicam enfraquecimento dos pesos e contrapesos na gestão da política econômica: a redução dos juros pelo Copom com base em argumentos pouco convincentes e o acórdão do TCU que legitimou as políticas parafiscais do governo.
Em compensação, o STF está preparando súmula vinculante para frear a aprovação de "bombas fiscais" no Congresso, o que pode ajudar, mas não reequilibra o jogo, e pode criar outros problemas.
A redução dos juros pelo Copom foi contraditória com o seu próprio cenário, que indicou aumento na inflação corrente, desancoragem das expectativas de médio prazo, possível impacto do El Niño e a agressiva expansão fiscal e parafiscal do governo, que pressiona a demanda e, via crédito subsidiado, entope o canal de transmissão da política monetária.
A despeito do cenário negativo, o comitê decidiu manter a trajetória de queda da Selic e postergar o compromisso de atingimento da meta de 3% anuais para 2028, suscitando dúvidas sobre a real intenção do BC de perseguir a meta.
Como mostrado por vários analistas, os argumentos do BC são pouco convincentes e parecem ter sido criados para justificar uma decisão política de reduzir a taxa, tomada "ex ante".













