Há cerca de três anos, fui chamado para estruturar a tokenização de uma carteira de recebíveis imobiliários para uma securitizadora em São Paulo. A primeira pergunta do CFO foi direta: "Em qual blockchain vamos colocar isso?" Naquele momento, percebi que a escolha da infraestrutura não é um detalhe técnico — é uma decisão de negócio que define custo, escalabilidade, segurança jurídica e, principalmente, viabilidade econômica do projeto. Desde então, já implementei dezenas de soluções em ambas as redes, e quero compartilhar com você o que aprendi na prática.

O custo transacional muda tudo no Brasil

Quando falamos de tokenização de ativos reais (RWA — Real World Assets), o volume de transações importa. Imagine tokenizar um fundo de recebíveis com 50 mil cotistas que recebem distribuições mensais. Na Ethereum mainnet, cada transferência pode custar entre US$ 2 e US$ 30 dependendo do congestionamento da rede e do preço do gas. Multiplique isso por 50 mil e você terá um pesadelo financeiro recorrente.

A Stellar resolve isso de forma elegante: o custo médio por transação gira em torno de 0,00001 XLM — frações de centavo de dólar. Em um projeto que conduzi para distribuição de dividendos tokenizados, a economia anual em taxas chegou a mais de R$ 400 mil quando comparamos o orçamento estimado em Ethereum L1.