Com crescente acentuada, modalidade tem atraído a atenção de novos investidores e pode chegar a US$ 6,8 trilhões Análise da Binance mostrou que os ativos tokenizados tiveram um crescimento de aproximadamente 589% do início de 2025 a junho de 2026 — Foto: Getty Images Especialistas econômicos vêm percebendo uma nova tendência no mercado financeiro: a tokenização de ativos digitais. Uma análise recente da Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, mostrou que, do início de 2025 a junho de 2026, esse tipo de ativo cresceu aproximadamente 589%. As ações também estão sendo negociadas em blockchains públicas, migrando de registros centralizados para uma infraestrutura aberta e descentralizada. Esses fatores mostram uma consolidação da modalidade, ampliando seu acesso a públicos mais abrangentes. O que é a tokenização? A tokenização é o processo de converter um ativo real ou financeiro em um registro digital (token) na blockchain. Isso permite que bens materiais — como imóveis, ou obras de arte — sejam fracionados, facilitando compra, venda e negociação e ampliando o acesso de novos investidores. O processo também aumenta a transparência e reduz os custos envolvidos nas transações. Outro ponto é que, à medida que esses ativos se tornam mais líquidos, elegíveis para garantia e de mais fácil acesso, parte dessa demanda poderá migrar para os ativos subjacentes tokenizados. As principais categorias que a tokenização poderia abranger ultrapassam US$ 300 trilhões globalmente. As que mais devem potencializar esse movimento são: dívida pública, ações, crédito, commodities e setor imobiliário. No entanto, a penetração atual nessas categorias gira em torno de 0,01%, o que coloca o mercado em um estágio muito inicial de qualquer curva de adoção plausível. No cenário base, o mercado atingiria cerca de US$ 1,6 trilhão até 2030, de acordo com a Binance Research. Sendo conservador, esse número cai para cerca de US$ 320 bilhões e, sob uma visão mais otimista, sobe para US$ 4,8 trilhões. Segundo estudo global do pilar de pesquisa e análise da Binance, o mercado de ativos ponderados pelo risco (RWA) tokenizados era de US$1 bilhão, em 2024, e já ultrapassou US$10 bilhões. No melhor dos cenários, a projeção é de US$6,78 trilhões, montante consideravelmente alto, porém, com uma penetração extremamente baixa, de apenas 4%. Nessas condições, a valorização seria 645 vezes em relação aos níveis atuais. Os ativos RWA tokenizados alcançam a integração financeira convencional, com ações, commodities e ETFs tokenizados se tornando instrumentos em carteiras de varejo e institucionais. Este cenário pressupõe alta liquidez, interoperabilidade entre blockchains e um ambiente regulatório mais consolidado. Embora ambicioso, reflete todo o potencial da tokenização. Ainda de acordo com o relatório, uma situação conservadora teria uma taxa de penetração de apenas 0,12%, movimentando cerca de US$ 203 bilhões com potencial de valorização de 18 vezes. O cenário padrão apresenta US$ 661 bilhões e possível crescimento de 62 vezes, com uma penetração de mercado de 0,4%, por conta de uma participação mais ampla nas plataformas e uma infraestrutura em amadurecimento. Em um contexto otimista, a pesquisa aponta um avanço de 156 vezes, sendo que a porcentagem de adesão é de apenas 1%. “Esses dados evidenciam o potencial de crescimento do setor, pois, na melhor das opções, a perspectiva é que tenhamos apenas 4% de penetração. Ou seja, há um mundo ainda a ser desbravado. Vale ressaltar que, independentemente do cenário, do mais convervador ao excepcional, a projeção é de um crescimento considerável, em um futuro próximo”, comenta a exchange. Integração de valores A integração da negociação direta de ações e de ações tokenizadas em exchanges de criptomoedas reduz o atrito operacional da execução de arbitragem de taxa de financiamento em contratos perpétuos vinculados ao TradFi — a operação de hedge à vista agora está acessível, globalmente, na mesma plataforma que o derivativo. A condição de equilíbrio simplificada (excluindo taxas de negociação) exige que o rendimento médio ponderado entre as duas partes da operação — a taxa de financiamento recebida na posição vendida do contrato perpétuo e os dividendos ou rendimentos de empréstimo de títulos (FPSL) obtidos na posição comprada à vista — exceda o dobro da taxa livre de risco em uma base anualizada. Considerando apenas a adoção, os ETFs levaram aproximadamente nove anos para ultrapassar US$ 100 bilhões em ativos sob gestão (AUM), enquanto a tokenização poderia atingir esse patamar em menos tempo, caso os padrões de crescimento recentes se mantenham. A questão crucial é se a distribuição institucional e a liquidez do mercado secundário conseguirão sustentar esse ritmo. Regulamentação das operações De acordo com report global da Binance Research, os marcos regulatórios são catalisadores fundamentais. O relatório traz que a fase de implementação é crucial, pois as regras de reserva, divulgação, licenciamento e conformidade podem moldar a demanda por instrumentos transparentes vinculados ao Tesouro em blockchain. Por sua vez, os títulos tokenizados também estão se aproximando da infraestrutura de mercado regulamentada. O processo de tokenização da Nasdaq indica, entre outras coisas, que eles podem se integrar cada vez mais aos sistemas de mercado existentes. Isso faz com que a barreira à adoção diminua significativamente. O Banco Central, com apoio de órgãos reguladores, como a CVM, lida com aspectos relacionados a ativos virtuais específicos, os quais conjugam características que combinam o interesse e a competência de ambas as autarquias, bem como de outros órgãos de governo. A convergência de regulamentação será mais determinante do que a ampla demanda. A relevância dos fundos de índice negociado em bolsa (ETF) está crescendo. A retomada do apetite global por risco impulsiona uma alta no mercado acionário do Brasil. Os ETF’s da BlackRock atraem bilhões em meio à queda de juros, alta de commodities e mudança no fluxo global de investimentos. O maior fundo listado nos EUA para acompanhar ações brasileiras, o iShares MSCI Brazil ETF, recebeu mais de US$ 337 milhões em novos recursos, seu maior fluxo diário desde 2017. Com patrimônio de US$ 11,3 bilhões, ele tem registrado fortes entradas neste ano, à medida que operadores diversificam para fora de ativos americanos e em direção aos mercados emergentes. Por sua vez, a Fidelity Investments lançou, recentemente, suas primeiras classes de ações de ETFs: FIMU, FREI e FSTB. A linha de ETFs negociados em bolsa é uma estratégia cada vez mais presente na empresa com, atualmente, 84 ETFs e ETPs e US$ 172 bilhões em ativos sob gestão. "A tokenização representa um dos avanços mais relevantes da evolução financeira digital. Seu potencial vai muito além da digitalização de ativos. Essa tecnologia aumenta a liquidez de mercados, democratiza o acesso e impulsiona a criação de novos produtos financeiros, contribuindo para um ambiente mais eficiente e competitivo, reduzindo barreiras e criando novas oportunidades para investidores e empresas participarem da economia de forma mais expressiva”, explica a Binance.
Tokenização de ativos reais é a próxima fronteira dos mercados financeiros
Com crescente acentuada, modalidade tem atraído a atenção de novos investidores e pode chegar a US$ 6,8 trilhões











