BCM Ativos Imobiliários alega "severas disputas envolvendo interesses econômicos relevantes na região da Barra da Tijuca, bem como da atuação de terceiros que vêm utilizando indevidamente e de forma fraudulenta o nome do antigo banco" Empresa imobiliária criada a partir de banco extinto na década de 60 nega envolvimento em fraude de R$ 1 bilhão — Foto: joelfotos/Pixabay A BCM Ativos Imobiliários, empresa cujo CNPJ surgiu a partir do Banco de Crédito Móvel (BCM), extinto na década de 60, negou envolvimento nas possíveis irregularidades investigadas pela Operação Lázaro, da Polícia Civil do Estado do Rio, deflagrada nesta quinta-feira (25). A operação visa investigar suposto esquema de fraude de R$ 1 bilhão envolvendo a reativação de um banco extinto na década de 60. A Polícia não revelou o nome da instituição, mas essa seria o Banco de Crédito Móvel S.A. (BCM), segundo o portal g1. A hipótese levantada por policiais civis da Delegacia de Defraudações (DDEF) do Rio de Janeiro é que haveria suposto esquema irregular, usando o banco extinto, para tentar se apropriar de crédito superior a R$ 1 bilhão. A BCM Ativos Imobiliários negou todas as acusações. “A companhia rejeita integralmente as acusações divulgadas, manifestando sua total indignação diante de fatos manifestamente improcedentes e destituídos de qualquer fundamento fático ou jurídico”, informou, em nota. “Cumpre esclarecer que a liquidação judicial do antigo Banco de Crédito Móvel foi extinta em 2017. Desde então, a sociedade foi regularmente transformada e estruturada como empresa do ramo imobiliário, situação chancelada pelo Banco Central do Brasil e reconhecida em sucessivas decisões no âmbito da Justiça Federal (16ª Vara Federal da 2ª Região), da Justiça Estadual (39ª Vara Criminal do TJRJ) e administrativamente pelo Governo Federal”, acrescentou a BCM. Um aspecto citado pela BCM Ativos Imobiliários S.A. é o fato de que, no entendimento da empresa, o cenário atual decorre, em verdade, “de severas disputas envolvendo interesses econômicos relevantes na região da Barra da Tijuca, bem como da atuação de terceiros que vêm utilizando indevidamente e de forma fraudulenta o nome do antigo banco — fatos estes já denunciados pela companhia ao Poder Judiciário". Em comunicado sobre a operação, a Polícia Civil do Rio detalhou, sem citar nomes de investigados, que objetivo do suposto esquema fraudulento seria reivindicar direitos sobre crédito bilionário relacionado à desapropriação de área de aproximadamente 153 mil metros quadrados, localizada no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. Os agentes apuram se a reativação do banco foi utilizada como forma de dar aparência legítima à tentativa de apropriação desses valores. Assim, no entendimento da BCM, “os ataques sofridos hoje buscam, nitidamente, blindar os verdadeiros infratores e impedir o regular funcionamento da empresa”. “Por intermédio de seus administradores e acionistas, a empresa já se colocou à inteira disposição das autoridades competentes e dos veículos de imprensa para prestar todos os esclarecimentos necessários, convicta de que a plena colaboração restabelecerá a verdade”, prosseguiu a BCM. A investigação da Polícia Civil também apura suposto envolvimento de agentes públicos e de ex-integrantes de um órgão público. A Polícia Civil não citou nomes dos envolvidos na Operação Lázaro. Segundo o portal g1, entre os alvos da operação estão integrantes da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja). São eles: o vice-presidente, Affonso D’Anzicourt Silva, o secretário-geral, Gabriel Oliveira de Souza Voi, e o ex-presidente do órgão, Sergio Tavares Romay. O Valor entrou em contato por e-mail com os escritórios de advocacia ligados aos investigados Affonso D’Anzicourt Silva e Gabriel Oliveira de Souza Voi, mas não obteve retorno até o momento. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa de Sergio Tavares Romay. Em Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, datado de 29 de junho de 2021, é possível comprovar que o ex-governador do Estado do Rio, Cláudio Castro (PL), indicou Romay como presidente da Jucerja, bem como D’Anzicourt Silva como vice-presidente. O Valor procurou Castro para falar sobre o tema, mas ele não respondeu aos questionamentos. Fontes próximas ao político, no entanto, informaram que a indicação de Romay, na Jucerja, foi um pedido do deputado estadual Andre Correa (PSD) a Castro. Procurado, Correa não respondeu aos questionamentos do Valor até o momento.
Empresa imobiliária criada a partir de banco extinto na década de 60 nega envolvimento em fraude de R$ 1 bilhão
BCM Ativos Imobiliários alega "severas disputas envolvendo interesses econômicos relevantes na região da Barra da Tijuca, bem como da atuação de terceiros que vêm utilizando indevidamente e de forma fraudulenta o nome do antigo banco"















