“Subjugar o inimigo sem lutar é o acme da habilidade” (Sun Tzu, em A Arte da Guerra)
Tomo a visita de dez dias que fiz a Shanghai como ponto de partida para este artigo. Acabei de chegar e ainda luto com o fuso horário (a viagem de volta foi de 39 horas porta a porta). Assim, o artigo será talvez ainda mais incoerente do que de costume. Mas, enfim, vamos lá.
A China está em pleno processo de redefinição das suas relações com o resto do mundo, com o Ocidente em particular. Nas primeiras três ou quatro décadas do período de reforma e abertura econômica iniciado por Deng Xiaoping em 1979, a China buscava uma “ascensão pacífica” no interior do quadro internacional estabelecido sob a égide dos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. E foi, inicialmente, muito bem-sucedida nesse propósito. Evitava sistematicamente confrontações com os Estados Unidos e outros países, posicionando-se com prudência e paciência estratégicas. Deng adotava como lema uma máxima chinesa clássica: “Esconda a força, espere a hora”.
Não obstante, os Estados Unidos preferiram partir para uma política de contenção e confrontação, sobretudo no primeiro mandato de Donald Trump, de 2017 a 2020, continuando com Joe Biden, de 2021 a 2024, e se intensificando de modo dramático no segundo mandato de Trump, desde o ano passado. Formou-se um sólido consenso bipartidário de que a China precisa ser freada. Os Estados Unidos passaram a ver o país como rival e principal ameaça, adotando de caso pensado uma série de medidas desenhadas para solapar a China nas áreas comercial, tecnológica, militar e diplomática,











