0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está em missão na China — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 12:57 Brasil lança Panda Bonds na China para diversificar dívida pública O Brasil se prepara para emitir os Panda Bonds no mercado chinês, papéis da dívida pública em yuan, com juros esperados em torno de 2%, significativamente menores que os 8% médios domésticos. O ministro Dario Durigan destaca o interesse chinês e aponta que, embora a emissão inicial de 5 bilhões de yuan seja modesta, ela diversifica credores e pode melhorar o perfil da dívida pública. A operação não foi influenciada por tensões EUA-China, mas sim por estratégia econômica de longo prazo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo deverá pagar a menor taxa de juros já obtida pelo Brasil em uma emissão de títulos da dívida pública no mercado internacional com a estreia dos Panda Bonds, os papéis emitidos em yuan no mercado chinês. A expectativa é de uma taxa em torno de 2%, bem abaixo da média de 8% de juros reais pagos atualmente pelo governo para se financiar no mercado doméstico, disse o ministro Dario Durigan que conversou com o blog do carro enquanto se deslocava para um jantar, após encontro com o presidente do Bank of China. A primeira emissão deve ocorrer entre dois e três meses, no valor de 5 bilhões de yuan — cerca de US$ 735 milhões. Embora o montante seja modesto diante do tamanho da dívida brasileira, o interesse demonstrado por bancos chineses surpreendeu o ministro. — A primeira emissão será de 5 bilhões de renminbi. Como é a estreia do Brasil nesse mercado, ela precisa ser feita com cautela para testarmos as condições e avaliarmos o apetite dos investidores. Mas a primeira impressão que tive, tanto nas conversas com as autoridades chinesas quanto com as instituições financeiras, que estão entre os maiores bancos de investimento do mundo, é de que há um grande interesse. Nas conversas de bastidores, a expectativa é de que essa emissão de Panda Bonds resulte no título soberano brasileiro mais barato da história. Hoje, no Brasil, pagamos em média um juro real de 8%. Aqui, ouvi estimativas de que poderíamos pagar cerca de 2%. É uma diferença substancial. Durigan explica que a emissão dos Panda Bonds tem impacto limitado no curto prazo, mas projeta uma melhora o perfil da dívida pública e amplia as alternativas de financiamento do Tesouro. — A primeira emissão é muito pequena diante do estoque da dívida pública. Portanto, não terá impacto imediato, mas aponta para uma melhora no perfil da dívida. O Brasil busca dois objetivos com essa operação. O primeiro é diversificar a base de credores da dívida soberana. Isso interessa ao país e ao Tesouro Nacional porque amplia o conjunto de instrumentos disponíveis para administrar a dívida. Não se trata de uma obrigação, mas de uma opção. Quanto mais mercados estiverem abertos, maior será a capacidade do Tesouro de fazer uma gestão eficiente. Ele lembra que, em março, o Brasil realizou uma emissão de 5 bilhões de euros no mercado europeu em condições consideradas favoráveis. — Quando digo que as condições foram boas, significa que o Tesouro conseguiu captar pagando juros relativamente baixos, inferiores aos praticados no mercado doméstico. E o que ouvi aqui na China é que talvez consigamos condições ainda melhores do que as obtidas em Nova York ou Londres. Isso atende ao segundo objetivo da operação: ampliar o acesso a fontes de financiamento mais baratas. O ministro afirma que a imprensa estrangeira insiste em associar a emissão em moeda chinesa às tensões geopolíticas entre China e Estados Unidos, mas ressalta que essa leitura não corresponde à estratégia brasileira. Segundo ele, o projeto vem sendo desenvolvido desde 2024, antes mesmo da posse de Donald Trump na presidência americana. — Se eu posso captar recursos para administrar a dívida pública pagando menos, por que deixaria de fazer isso porque os Estados Unidos poderiam se incomodar? Esse não é um argumento válido. Talvez seja um argumento dos Bolsonaro, mas certamente não é um argumento relevante para a política econômica do país. Durigan ressalta que uma emissão dessa natureza exige um longo processo de preparação. — Não é uma decisão tomada de afogadilho. Estamos estudando esse mercado há bastante tempo. Trabalho nesse projeto desde 2024, quando Trump sequer era presidente dos Estados Unidos. Avaliamos riscos, custos burocráticos, contratação de consultorias e a mobilização dos bancos que liderariam a operação. É uma estratégia de Estado, não uma decisão circunstancial. Temos que fazer prevalecer o interesse nacional.