O ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou na quinta-feira (25) a carta de intenção que abre caminho para o Brasil emitir títulos soberanos em yuan, os chamados panda bonds. O presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, recebeu o documento em Pequim. O país é o primeiro da América Latina a acessar o mercado interbancário chinês e pretende captar até 5 bilhões de yuans, ou US$ 735 milhões, nos próximos dois a três meses.
Panda bonds são papéis de dívida que governos e empresas estrangeiras emitem dentro da China, em moeda local. Diferem dos dim sum bonds, emitidos fora do continente e sobretudo em Hong Kong, porque acessam diretamente a poupança doméstica chinesa. Essa reserva é a segunda maior do mundo e supera 200 trilhões de yuans. Quem compra são bancos estatais, seguradoras e fundos de pensão chineses que preferem prazos curtos e risco baixo.
Para Pequim, o instrumento cumpre função que vai além da captação. Ao financiar terceiros na própria moeda, a China avança na internacionalização do renminbi e cria circuitos de crédito que dispensam o sistema bancário ocidental e escapam de sanções como as que congelaram reservas russas em 2022. Rússia, Hungria, Paquistão e o emirado de Sharjah já recorreram ao mercado pela mesma lógica.












